(REED)
By Celso Ghebz Ghelardino Gutierre
Há alguns anos Douglas vivia só. Paula, seu grande amor de adolescência havia deixado esta existência e seus dois filhos Gabriel e Carla moravam no exterior.
Aproximava-se o Natal
e aquelas lembranças dominavam seus pensamentos.
Lembrava-se, como se
fosse há apenas alguns dias, de quando a havia visto pela primeira vez, na
escola. Ele estava na quadra de “volleyball” quando ela surgiu diante do sol
poente. O contorno de seu corpo estava envolvido pela luz alaranjada da Estrela
diurna, seus cabelos, castanho-escuros, longos e lisos moviam-se ao sabor do
vento, seu andar seguro e delicado demonstrava segurança. A troca de olhares
foi inevitável, pois ele estava encantado, ela sorriu e abaixou a cabeça, ainda
bem, pois assim, talvez, ela não tenha percebido como ficara enrubescido...
Como ele faria para
falar com ela? Comentou com Laerte, amigo e colega de escola, sobre sua dúvida,
que o aconselhou a aproximar-se dela na “Festa das Nações” que aconteceria no
sábado daquela mesma semana. Era o que faria. E, se aproximaria através do
Correio Elegante.
Conversaram bastante
na festa. Mais tarde, ainda naquela noite em casa, a lembrança dela não o deixava
dormir, aqueles olhos quase negros, demonstravam sinceridade... Ele estava
apaixonado!
Lembrou-se, também,
do convite que ela lhe fizera para a festa de seu aniversário de 14 anos. E, da
sua dúvida para lhe comprar um presente.
Mas, como o céu é
cúmplice dos enamorados, o cupido sussurrou-lhe: presentei a garota com um
buquê de rosas vermelhas. E assim o fez. Foi o presente o qual ela mais gostou.
Fazia muito tempo,
mas era tão claro em sua mente que parecia ter acontecido ontem.
Normalmente seus
filhos voltavam nessa época do ano, mas desta vez não conseguiriam.
Douglas preparou uma
ceia simples, apenas para si mesmo. Decidiu que iria utilizar o momento de
solidão na noite de Natal para aproveitar ao máximo suas lembranças.
Hoje, pensou, nada de
altas risadas, apenas o som de músicas de Natal. Objetivando um clima intimista
de festividade e nostalgia.
Montou sua mesa com
alguns pratos, entre os quais, frutas secas e um bom vinho.
E, claro, colocou algumas
antigas músicas natalinas.
Antes, porém, ao som
de “Silent Night” que, aliás, ouviu diversas vezes naquela noite, leu o conto
de Leon Tolstói, “Onde existe amor, Deus aí está”. Se empolgou tanto que o leu
em voz alta.
O ambiente que já
estava leve ficou, como que, tocado por algo sublime.
Por vezes seus olhos
marejavam de emoção.
Pensava no encanto
daquele momento que, embora sozinho, lhe acariciava a alma.
Em determinado
momento, a cantiga de Natal “Silent Night” tornou-se mais bela do que nunca... um
instante mágico em que a intensidade da música atingiu o seu auge, gerando uma
experiência transcendente.
No dia seguinte pela
manhã, Laerte bateu à porta para lhe dar um abraço de Natal. Insistiu, mas
ninguém veio atendê-la, embora o carro estivesse na garagem. Percebendo que a
porta estava destrancada entrou.
Ao chegar à sala de
jantar vê o corpo de Douglas inerte no chão, rapidamente debruça-se para
auscultar seu coração, mas nada ouve... Douglas fizera a sua última viagem. Ao
se levantar, observou que o rosto dele parecia sorrir, ao seu lado havia uma
rosa vermelha, o ambiente estava impregnado de perfume, um perfume de mulher,
seu aroma era conhecido, mas de quem seria?
Lembrou-se então, a rosa
vermelha evocava o buquê de rosas, e o aroma no ar, o preferido de Paula...
Parabéns! Seu texto é emocionante e muito bonito. Um abraço, Ivan Coral
ResponderExcluirBom dia, Ivan! Muito obrigado por suas palavras.
ExcluirBelo texto! Bom Natal!
ResponderExcluirObrigado! Bom Natal!
ExcluirMuito bom
ResponderExcluirObrigado!
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