sábado, 15 de novembro de 2025

QUE SAUDADE DO CAMPINHO

By Celso Ghebz Ghelardino Gutierre

Às vésperas de completar 73 anos, minha mente está povoada de recordações. A mais antiga é a de uma viagem com destino ao SESC Bertioga, lá pelos idos de 1957, ou talvez, 1958, com meus pais e minha irmã, ainda bebê, meu irmão caçula não era nascido,. Lembro-me do ônibus da Cometa que furou o pneu dianteiro, das imagens da viagem de barca, de Santos, até a chegada à praia de Bertioga, de um barco relativamente pequeno na areia, próximo de um canal, de onde avistava-se uma capela.

Recordo-me do meu pai fazendo a barba, em um sábado qualquer de 1959, enquanto ele ouvia na rádio Bandeirantes o programa, “Jornadas Esportivas”, cuja trilha sonora do programa era “The Eyes of Texas” (Os Olhos do Texas).

Aliás, aos sábados, esperávamos com ansiedade o delicioso lanche “bauru” feito na chapa de ferro, era uma sanduicheira, colocada sobre uma das bocas do fogão.

CHAPA DE FERRO

Ah, não poderia deixar passar as vendas de porta em porta, do “Seu Agostinho” que passava todas as semanas com sua carroça, vendendo frutas e um senhor que aos sábados vinha com uma Pick-Up, marca Studebaker, vendendo Guaraná Caçula da Antarctica...(Aliás, o músico Caçulinha tem esse apelido por causa desse guaraná). 

 

                      STUDEBAKER    1951                                 PROGAGANDA DOS ANOS 1950


As lembranças são muitas. A primeira escola, o Jardim da Infância, a professora Dona Aninha, depois o primeiro ano, com Dona Laura; o despertar da paixão pelo cinema, através das matinês; as ruas e suas casas com jardins, seus grandes terrenos; a primeira televisão em 1961; e o famoso campinho*, na realidade, uma área enorme com apenas algumas casas, lá era onde eu empinava pipas à sombra de uma ameixeira, jogava bola, participava das “batalhas” de mamona e andava de bicicleta...

E, hoje eu não vejo nada que lembre o campinho, nenhuma das suas diversas trilhas percorridas por crianças que lá brincavam, por pessoas que apressadas cortavam caminho... tudo agora é apenas lembrança.

Muitas das antigas casas diante das quais eu passava apressado para as matinês, não mais existem, em seus lugares, frios edifícios retilíneos sem personalidade, com moradores que não dizem mais bom-dia, como vai ou mande lembranças... Ah, as lembranças. Lembranças das ruas tranquilas, ainda de paralelepípedos, quase sem veículos, onde, às tardes nas calçadas, pessoas conversavam animadamente. Cada bairro tinha sua personalidade, armazéns, padarias, barbeiros que eram na maioria das vezes conhecidos pelos nomes de seus proprietários. Lembro-me bem de minha mãe pedindo para eu comprar algo no armazém dos “ Irmãos Piatto”.   

Não me queixo, tampouco, lamento, apenas deixo virem os bons momentos de outrora.

Como disse alguém: “E o tempo passou... como nuvem em céu de verão, sem deixar rastro de sua pressa”. 

Saudades... 

Obs.: *O “Campinho” ficava entre as ruas José Bonifácio, Armando Sales de Oliveira e a travessa Monteiro Lobato.

Foto do Grupo Público “Antiga São Bernardo do Campo” Década de 1950 na rua principal da cidade. 



11 comentários:

  1. O meu amigo!
    Belas lembranças.
    Muito parecidas com as minhas.
    Saudades dos nossos tempos de infância e juventudes.

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  2. Boas lembranças caro Celso!
    Nós morávamos na mesma rua, inclusive lembro que na época de festas juninas, era muito comum as fogueiras não muito grandes, porém haviam em diversas calçadas nos bairros que estavam se formando, ainda com poucas casas e raros prédios.
    Sim, as ruas de paralelepípedos que na chuva ficavam bem escorregadias, das turmas que andavam de bicicletas, dos campinhos para futebol, assim brincávamos nas ruas que eram extensões dos quintais de nossas casas.
    Ninguém falava de sequestro, roubos, assaltos, lógico que haviam perigos, mas não existia o medo ou pânico que habitam hoje nas grandes cidades.
    Enfim, bons tempos que não voltam mais, mas que jamais serão apagados de nossas memórias!

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    1. Verdade, eram momentos despreocupados. As imagens que eu tenho em minha mente são muito bonitas. As boas lembranças, jamais esqueceremos!

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  3. Muitas saudades da minha infância, brincávamos livres na rua.

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  4. É bom recordar, especialmente os momentos felizes e que não voltarao, mesmo se as paisagem tivessem permanecido nós não seríamos os mesmos..

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  5. Meu amigo, que texto maravilhoso, dos anos dourados, tinha todo seu encanto, as pessoas eram amorosas, dotadas de toda sensibilidade. Vivi na mesma época que você, foram os anos mais marcantes de minha vida. Suas recordações valem ouro!

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