MARIA, MÃE SANTÍSSIMA
By Celso
Ghebz Ghelardino Gutierre
Diante da cruz infame, Maria era a imagem de uma dor
profunda e inesquecível.
Lembranças transportavam-na para o momento mágico, quando o Arcanjo
Gabriel, anunciou que ela conceberia e daria à luz um filho chamado Jesus. Quando
o profeta Simeão reconhece no bebê o Messias. Nesse instante supremo, Maria
revia a manjedoura e parecia ouvir novamente o cântico de glória. Admirava-o
por suas sábias perguntas, por suas brincadeiras e correrias dentro da casa simples,
feita de pedra e barro, com apenas um cômodo.
As atitudes e os sentimentos íntegros de Jesus aconteciam
desde pequeno, as palavras consoladoras que brotavam em seus lábios a
fraternidade para com os desamparados e os tristes, as mãos minúsculas que conduziam
desconhecidos tal qual irmãos.
Miseráveis louvavam-no, pois distribuía as bençãos do Céu.
Mais tarde, já adulto abraçava sua missão Celestial: “Paralíticos
andavam, cegos voltavam a enxergar, os sedentos de amor eram saciados por suas
lições”.
Nesse ínterim, Maria é trazida ao presente por insultos e
zombarias de parte da multidão desvairada, instigada por sacerdotes contra Ele.
Rapidamente, mulheres ao seu lado passam a consolá-la... e
alguém toca levemente seu ombro, era João que a abraça em apoio.
Nesse momento, já em agonia, Jesus, move a cabeça e diz: “Meu
filho, meu amado filho... Mãe, eis aí teu filho! Filho, eis aí tua mãe! Ali,
juntos, ficaram até a retirada de Jesus.
Nos dias seguintes, os discípulos partem para regiões
diferentes empenhados na difusão da Boa-Nova. Maria retira-se para a Bataneia, onde alguns
parentes mais próximos a esperavam com especial carinho.
Os anos começaram a passar, silenciosos e tristes, para a
angustiada saudade de seu coração.
Tocada por grandes dissabores, observou ásperas discussões
entre os seus seguidores, assim como a formação de uma soberba espiritual em
alguns.
Nesses momentos relembrava de Jesus trazendo Deus entre os
homens.
A esse tempo, João, que levava a Boa-Nova, por outros rincões,
vai à Bataneia e encontra Maria.
Conta-lhe a vida em Éfeso (na atual Turquia), onde o número de cristãos
aumentava e a convida para seguir com ele, onde trabalhariam em conjunto.
A casinha pobre, distante, doada por um poderoso convertido
ao amor, situava-se no alto de uma colina de onde avistava-se o mar, era como
um altar da natureza. Seria o refúgio para os desamparados e, como mãe e filho lá
ensinariam as verdades do Evangelho.
Em semanas, transformou-se em ponto de encontro dos humildes
e sinceros. Assembleias memoráveis lá aconteciam, às vezes, iam até noite alta quando
as estrelas tinham maior brilho. Decorridos alguns meses, grandes fileiras de
necessitados acorriam ao sítio singelo e generoso. Enquanto João pregava na
cidade as verdades de Deus.
Sua choupana era, então, conhecida pelo nome de “Casa da
Santíssima”. Um pobre leproso, depois de aliviado em suas chagas, lhe beijou as
mãos, murmurando: “Senhora, sois a mãe de nosso Mestre e nossa mãe Santíssima”.
João consolidava o conceito, pois somente a grandeza
espiritual dela permitiu a vinda do emissário de Deus, através da nossa
atmosfera pesada, escura e de baixa vibração. Maria, na sua humildade sincera,
se esquivava das homenagens.
Diariamente, atendia os desamparados que buscavam suas
palavras confortadoras.
Assim se passaram os dias, as semanas, os meses e os anos
incessantes. a velhice não lhe acarretava nem cansaços, nem amarguras.
Suas meditações eram suaves, lembrava-se do filho amado. Às
vezes, perfumes vagos, preenchiam a sua alma.
Súbito, recebeu notícias sobre dolorosas perseguições contra
os fiéis a Jesus, eram escravizados, presos e muitos serviam de alimentos às
feras.
Num crepúsculo estrelado, Maria entregou-se às orações, como
de costume, pedindo a Deus por todos.
O ambiente era de soledade, mas não se sentia só, uma força
singular lhe banhava a alma.
Extasiada nas suas meditações, Maria viu aproximar-se o
vulto de um pedinte.
Como tantos outros disse: “Venho fazer-te companhia e
receber tua benção”!
O peregrino lhe falou do Céu, de uma forma bela e
inspiradora...
Que mendigo seria aquele que lhe acalmava as dores da alma? Nenhum
lhe surgira até então para dar, era sempre para pedir.
Esse, trazia conforto espiritual, através da voz confiante e
suave... os olhos de Maria umedeceram...
Foi quando ele lhe estendeu as mãos e falou: “minha mãe!” Nas
mãos, ela viu duas chagas... olhou ansiosa para os pés, viu os ferimentos dos cravos...
Deus lhe enviava Jesus... Maria clamou com alegria: “meu
filho! meu filho!
Ela tentou ajoelhar-se, Ele, porém levantando-a envolvido
por uma auréola de luz celestial, se ajoelhou aos seus pés e, beijando-lhe as
mãos disse: “Sim, minha mãe, sou eu!... Venho buscar-te, pois meu Pai quer que
sejas no meu reino a rainha dos anjos...
No outro dia, João, avisado por dois portadores, regressa
para assistir os últimos instantes da Mãe Santíssima.
Na alvorada aquela Alma Eleita se eleva da Terra. Multidões de entidades angélicas à sua volta cantam
hinos de glorificação.
Antes de se afastar da Terra ela deseja rever a Galileia. bastou
a manifestação de sua vontade para que a conduzissem à região.
Lá, reviu todos os quadros do apostolado de seu filho.
A Caravana Espiritual se dispunha a partir, quando Maria se
lembrou dos discípulos perseguidos... Esse pensamento imprimiu novo impulso às
multidões espirituais que a seguiam de perto.
Em poucos instantes avistava a cidade soberba e maravilhosa.
Mas, logo, seu olhar, indo além das aparências, descobre uma
multidão que não estava nas vias públicas, mas em cárceres sombrios, onde
centenas retratavam padecimentos atrozes.
Maria se aproxima de um a um, os condenados experimentam no
coração um consolo desconhecido. Era a luz misericordiosa de seu espírito.
Ela desejou deixar-lhes uma lembrança eterna. Rogou ao Céu
que lhe desse a oportunidade de deixar entre os cristãos oprimidos a força da
alegria.
Aproximou-se de uma jovem encarcerada, magérrima e pálida e
lhe disse ao ouvido: “Canta minha filha! Convertamos as nossas dores na Terra
em alegrias para o Céu”!...
De olhos estáticos para cima, como a visualizar o firmamento
e ignorando a razão de sua alegria inesperada, cantou um hino de amor a Jesus,
transformando todas as suas amarguras em esperanças.
Daí a instantes, seu canto melodioso era acompanhado pelas
centenas de vozes dos que antes choravam no cárcere. E, agora aguardavam o
glorioso testemunho.
Logo a Caravana Majestosa conduziu ao reino do Mestre a
bendita entre as mulheres, a nossa Mãe-Santíssima.
OBS.: Síntese
do capítulo sobre Maria, da obra “BOA NOVA”, psicografada por Chico Xavier e
ditada pelo Espírito Humberto de Campos.