By Celso Ghebz Ghelardino Gutierre
Logo após a 1ª Grande Guerra,
retorna à sua pátria, um jovem piloto de avião chamado Larry. E, como muitos
veteranos de guerra, ele também traz consigo um trauma: Um grande amigo, no
último dia do conflito, morre em seu lugar, salvando-o.
Tal experiência o leva a
pensar profundamente sobre os objetivos da vida.
“Encontrar o verdadeiro
significado da existência o faz deixar a noiva Isabel e retornar para Paris,
onde estivera durante o conflito. Lá, permanece por um ano executando diversas
atividades profissionais até trabalhar em uma mina de carvão, onde conhece um
ex-padre que o aconselha a ir para a Índia, pois entende que lá poderá
encontrar sua resposta.
Assim, parte Larry para
encontrar um místico no Himalaia.
Quando se encontram o mestre
pergunta-lhe: - O que o trouxe aqui?
- Vim aprender. Venho
procurando algo... Algo que não consigo pôr em palavras. Ouvi dizer que talvez
possa me guiar, responde Larry.
- Deus é nosso único guia.
Mas, se conversarmos, talvez ele me mostre como ajudá-lo, pondera sensato o
mestre.
Larry, completa, um tanto
quanto chateado: - Para meus amigos, sou um boa vida irresponsável. Nem aqueles
a quem amo entendem o que procuro. Estudei,
viajei, li tudo que podia e nada parece satisfazer-me. Como todo mundo, quero
ser bem-sucedido, melhorar. Mas não quero o que o mundo chama de sucesso. Por
algum motivo, perdi a confiança nos valores vigentes, de me entusiasmar com as
ideias de abrir um negócio e melhorar de vida cada vez mais. Isso me dá grande
ansiedade, apressa minha busca. Eu sei que se encontrar aquilo que persigo,
será uma coisa para repartir com os outros, mas como achá-la, e onde?
- Essa inquietude e confusão não
são únicas, filho. E continuará, enquanto o homem procurar seus ideais por
meios errados, A felicidade não poderá existir, até aprendermos que ela vem de
dentro de nós. Está escrito que o homem sábio vive graças a si mesmo, pois ele
é Deus que mora no seu coração, este é o caminho da calma, da indulgência, da
compaixão, do altruísmo e da paz eterna...
- Não é fácil, mestre.
- Não! A estrada da salvação é
difícil de atravessar. Difícil como se fosse “o fio de uma navalha”. Porém uma
coisa eu afirmo e que todas as religiões repetem: Em todos nós existe uma
centelha da bondade infinita que nos criou, quando deixamos esta Terra nos
unimos a ela, como a gota da chuva que cai do céu finalmente se reúne ao mar
que lhe deu a origem.
- Posso ficar aqui? questiona
Larry.
- Claro que sim. Nossa vida é
muito simples. Temos livros. E podemos conversar. Trabalhar no campo, se
quiser.
Nós indianos, acreditamos que
há três caminhos que levam a Deus.
• O primeiro é o da fé e adoração;
• O segundo é o do trabalho executado por amor a Deus;
• O terceiro caminho é o do conhecimento e da sabedoria.
Você escolheu o terceiro. Mas
descobrirá no fim que os três são apenas um.
Após algum tempo dedicando-se
ao estudo e ao aprendizado, Larry conversa com o mestre que lhe diz: “Você já
assimilou todo o conhecimento que era possível, agora é a hora de você se
isolar do mundo, por um tempo. Às vezes, acontecem coisas muito estranhas
quando se está nas montanhas, sem viva alma por milhas e milhas em volta, nada
acima de você além do céu e de Deus.
- Que tipo de coisas?
- Isso meu filho, depende de
você!
Você irá encontrar um pequeno
abrigo lá em cima. Quando eu tiver um tempo, talvez eu lhe faça uma visita.
E, de fato, depois de algum
tempo o mestre vai até ele.
Quando o vê Larry pausadamente
lhe diz: - O senhor estava certo. Algo muito estranho me aconteceu.
- Eu sei, mas diga-me.
- Foi naquele momento em que a
noite termina e o dia começa, quando o mundo parece tentar se equilibrar. Aos
poucos, a luz penetrou a escuridão, como um ser misterioso e belo saindo de
trás das árvores. E os primeiros raios surgiram. As montanhas, a neblina no
topo das árvores. Nunca havia sentido ou visto algo parecido, diz Larry
maravilhado.
- Eu sei, venho aqui às vezes,
lhe diz o mestre.
Larry prossegue inspirado: - É
como se não tivesse mais corpo. Como se flutuasse no ar. Tudo que era confusão
de repente, ficou claro. É como se adquirisse um conhecimento sobre-humano e
tivesse me libertado. Achei que, se aquilo durasse mais um minuto eu morreria.
Mas morreria de bom grado se pudesse prolongar aquele momento. Naquele momento
único eu senti...
O mestre se antecipa: - Que
você e Deus eram um só.
Larry acena com a cabeça
confirmando e depois diz: - Sim... Eu poderia ficar aqui para sempre.
- Não. Você precisa voltar.
Está pronto para voltar. Não é preciso se isolar, filho. É preciso viver no
mundo e amar as coisas dele. Não por elas, mas pelo que “as coisas” têm de
divino. Seu lugar é com os seus.
Você é um dos bem aventurados.
A graça de Deus lhe concedeu ver a beleza infinita do mundo, que nada mais é do
que o reflexo da beleza de Deus. Essa alegria, a visão dessa beleza,
permanecerá com você nítida, até sua morte”.
Deus nos fala de muitas
formas, entre elas através de bons filmes. Este é um deles, “The Razor's Edge”
(O Fio da Navalha), de 1946, baseado no romance homônimo, de 1944, de W.
Somerset Maugham. O texto contém os diálogos entre o personagem “Larry”,
interpretado pelo ator Tyrone Power e o mestre místico, interpretado por Cecil
Humphreys.

Texto maravilhoso! Obrigada por me repassar essa linda história.
ResponderExcluirMuito obrigado por suas palavras. Por favor, identifique-se.
ExcluirÓtimo para reflexão
ResponderExcluirSão conceeitos profundos e reflexivos.
ExcluirQue bela estória! O filme deve ser fantástico.
ResponderExcluirO filme é e está disponível no YouTube!
ExcluirBelo história!
ResponderExcluirAs vezes precisamos nos desligar do mundo de informações existentes ao nosso redor, para que na simplicidade enxerguemos “ o Tudo”, que está a nossa disposição em todos os momentos; Deus!!
Sem dúvida, precisamos desligar do corre-corre para que possamos viver verdadeiramente, e não apenas passar pela vida.
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