quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Reclusão e Reflexão

By Celso Ghebz Ghelardino Gutierre

O passar dos dias deixa número crescente de pessoas a se perguntarem, quando essa reclusão vai terminar.

A resposta, talvez, esteja nesta outra pergunta: “O que a reclusão trouxe, também, de bom? ”

Aproximou familiares, modificou conceitos empresariais e hábitos profissionais, como a modalidade de trabalho “home office” (escritório em casa).

O retorno a um grupo, ao menos relativamente pequeno, a família, lembra um período na história onde ocorreu a migração populacional das grandes cidades europeias para o meio rural, momento em que a agitação social foi substituída por uma reclusão forçada, decorrente da queda do Império Romano no século V.  Esse tempo, da Idade Média, pode ser entendido como necessário para a reflexão sobre os vícios e degradação da sociedade do maior império da antiguidade. E, pode ter sido o gerador do renascimento comercial e urbano, a partir do século XIII, que culminou a partir dos três séculos seguintes com a espetacular manifestação reprimida das artes, da ciência, da literatura, dos inventos, da reforma religiosa, com intensidade e variedade nunca vistas antes.

Será que o momento não clama pelo encontro com o “EU”?

Éramos e ainda somos estimulados à vida externa. A ansiedade quando se chega em casa para ligar a TV, o som. Ao deitar a primeira coisa é olhar o celular para ver quem nos procurou e o que foi dito. É a fuga do “EU”!

Nossas buscas são para conhecermos coisas e outras pessoas, todavia, nem sempre nos conhecemos como deveríamos.

A verdadeira felicidade não está fora de nós, certamente, não precisamos obrigatoriamente de eventos frequentes, de atividades sociais intensas, talvez esse período seja necessário para que nós nos encontremos.








             

10 comentários:

  1. Reflexão da vida na pandemia com home office e antes dela também. Bom o texto.

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  2. Concordo com o Jayme! Parabéns Celso pelo ótimo texto!

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  3. Ótimo texto!
    Estamos descobrindo o eu, de cada um de nós! Abraços!

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  4. Sim Haroldo! E, isso é uma grande conquista. Abraços!

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  5. Parabéns por mais esta necessária reflexão, caro amigo Celso! Realmente, apesar do medo e das perdas, a atual situação nos dá a oportunidade de nos redescobrir, de aprendermos a seguir sem a necessidade de recorrer tanto à vida externa, e até de aproveitar a natureza em sua plenitude, as coisas do campo, longe do caos urbano. Eu que moro numa cidade interiorana e nem sequer tenho smartphone (e não faço a menor questão de ter um), não tenho tanta dificuldade em me adaptar a essa nova realidade. Aquele abraço!

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    1. Bom dia Thomaz! Desculpe a demora em responder. Exatamente, a oportunidade de nos redescobrirmos coletivamente e individualmente. A qualidade de vida é a prioridade, e não bens de consumo, por exemplo. Grande abraço!

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