terça-feira, 22 de setembro de 2020

 

A Xícara de Café

By Celso Ghebz Ghelardino Gutierre

Hoje, quando acordei às 6h10, o meu primeiro pensamento foi, eu gostaria de escrever algo inspirador. Meu devaneio foi interrompido por uma mensagem de bom dia no celular, respondi e naturalmente dei uma vista d’olhos em outras, foi quando me chamou atenção uma delas, enviada à noite, após eu ter ido repousar, por meu filho e que trazia um interessante ensinamento de Simon Oliver Sinek, um palestrante inglês. Uma lição de humildade ao comparar de maneira inteligente uma xícara de isopor e outra de porcelana, que fez com que eu refletisse e escrevesse sobre essa analogia, especialmente através da importância que se dá aos personagens que vivemos.

É fato que, quando se atinge certa projeção profissional o tratamento recebido é todo de atenção. Referências elogiosas, acompanhadas de recepções cuidadosas, onde os serviços oferecidos nessas ocasiões são finos, com pompa, sorrisos e abraços abundantes. Não faltam convites para eventos numerosos, coincidentes, por vezes, no mesmo dia, até que em um determinado momento a projeção profissional desbota, perde o brilho e não chama mais a atenção. Os elogios, as solicitações de presença, de uma hora para outra, desvanecem e nem sequer o prestigiado convidado de outrora é mais percebido, como quem escapa à vista...

Referências, não faltam. Há algum tempo li uma reportagem, não lembro o autor, que ao se referir ao cantor e compositor Demétrius, finalizava seu texto em tom jocoso: “um ilustre desconhecido que nem é reconhecido nas ruas”. O artista, falecido em 2019 de ataque cardíaco, fez sucesso nas décadas de 1960 e 1970, por suas obras, entre elas a versão da música “O Ritmo da Chuva”.

Talvez esse ostracismo explique o porquê de vários artistas internacionais e nacionais tentarem o suicídio quando mais velhos e esquecidos.

Infelizmente muitos, talvez a maioria, não perceba ou reconheça a essência do ser, que em um período de sua vida se sobressaiu, valorizando, apenas, como disse Simon, a xícara e não seu conteúdo. 

3 comentários:

  1. Forte e reveladora reflexão! Olhamos mais a aparência do que a essência! Os olhos jovens sempre vê melhor! Mas não enxerga o que é para ser visto!leitura acompanhada com uma boa xícara de café! Abs!

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  2. Obrigado Maestro! Sim, normalmente as pessoas atentam mais para as aparências. Quanto aos jovens, a visão deles é mais acurada para as coisas superficiais, não percebendo, na maioria das vezes, o que está na alma.

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