domingo, 17 de maio de 2020

A SUA ÚLTIMA AVENTURA 2
By Celso Ghebz Ghelardino Gutierre
Tentava entender o que acontecera, ao mesmo tempo que uma força maior o impedia de olhar para o seu carro. Observava as imagens da paisagem local onde o trigo e a cevada haviam sido colhidos deixando as terras com aspecto de uma nudeza crua e desolada. E, novamente voltam cenas passadas, lembra-se de sua mãe e o quanto se davam bem, enquanto seu pai sempre fora um pouco distante. Tudo era felicidade até que sua mãe fica doente e em pouco tempo falece, ele tinha apenas nove anos. A tristeza o abateu profundamente, não entendia o porquê de ela tê-lo deixado. Recordava-se com detalhes do trem que transportara da Califórnia para Indiana ele, sua avó e em um esquife o corpo de sua mãe. 
Algum tempo depois seu pai o deixa com seus tios que residiam em uma zona rural, embora bem tratado ele sentia profunda falta da sua mãe, principalmente quando as visitas de seu pai rarearam, após seu novo casamento.
Nesse período ele passava horas a fio com o olhar perdido, até parecia procurar sua mãe nas intermináveis plantações que rodeavam a sede da fazenda. Sua natureza era de poucos amigos, mantendo uma certa distância dos colegas de escola. 
Vendo sua tristeza seus tios procuram o reverendo da localidade que se propõem ajudar. Porém outra tragédia o aguardava. Por mais que tentasse não conseguira, à época, apagar a vergonha que sentia, pois, a lembrança do abuso sexual do religioso o incomodava profundamente.
Mas, as imagens não param e logo ele se vê nos times de basquete e beisebol da escola. Das atividades esportivas, suas preferidas eram as que apresentavam maior risco. Entre os treze e catorze anos já tinha sua própria moto e participava de todas as corridas que pudesse. Os moradores de “Fairmont” diziam que ele parecia um foguete com sua moto.... Executava proezas perigosas, tais como, em alta velocidade, deitar-se de costas no banco da moto.
Apesar de ter uma mente brilhante não tinha boas notas. Além dos esportes sentia-se atraído pelas aulas de teatro e já nas primeiras interpretações fazia qualquer cena na primeira tentativa, o que o motivou sobremaneira, a partir daí pesquisava tudo sobre interpretação.
Embora seu tio preferisse que ele se tornasse agricultor, não teve jeito, pois era de personalidade forte e ninguém conseguia obrigá-lo a fazer algo que não quisesse, era indisciplinado, imprevisível, temperamental, não tolerava esperar e ficar parado.
Ele se mudou para a Califórnia e começou a estudar Direito, na Universidade da Califórnia (UCLA), mas no segundo semestre mudou para o curso de arte dramática.  Nesse período trabalhou em uma série radiofônica, em propagandas na TV. Mas para dedicar-se a profissão escolhida largou a faculdade e apareceu fazendo pontas em várias séries televisivas da rede CBS. Foi para Nova York e conseguiu ser aceito no Actors Studio, o que o deixou orgulhoso.
A partir de 1950, logo após o curso, passou a atuar em mais programas na televisão. Em 1953 interpreta, no episódio Glory in the Flower, um personagem retratando um jovem descontente, tendo como trilha a música “Crazy Man, Crazy” tornando-se um dos primeiros programas dramáticos de TV a conter uma música de Rock and Roll. As críticas positivas à sua atuação abrem-lhe as portas de Hollywood. Ele é convidado pelo celebrado diretor Elia Kazan para ser protagonista do filme “The East of Eden” (Vidas Amargas no Brasil).
Jimmy sorri ao lembrar-se da técnica que havia usado para interpretar o personagem Cal Trask, que no filme tem um relacionamento difícil com o pai, interpretado por Raymond Massey. Para criar maior realismo nas cenas ele, na vida real, provocava Massey a ponto de suas afrontas tornarem-se insuportáveis. A intensidade interpretativa era tão elevada que, frequentemente, Jimmy chorava. Isso aconteceu especialmente na cena em que contracenando com o pai ele altera o “script”; foi um momento inesquecível para ele, para o diretor e a equipe de produção. Na tomada seu pai recusa aceitar o dinheiro dele, pois não o havia conseguido de forma correta, no roteiro era para ele se virar com raiva de seu pai e sair, mas Jimmy o abraça e chora perguntando o porquê, Massey diante da surpresa não consegue pensar em nada senão dizer: “Cal! Cal! ” (Nome do seu personagem). Kazan não mandou refazer a cena, pois percebeu que havia ficado incomparavelmente melhor. A atriz, Julie Harris, que contracenou com ele no filme disse: “Jimmy era muito talentoso. Não havia nenhuma cena que não pudesse fazer”!
O filme fez sua estreia com sucesso estrondoso, muito acima das previsões mais otimistas dos executivos da “Warner Bros”. Kazan reconheceu que Jimmy era o filme.
A crítica foi só elogios: “O gênio criativo desse jovem ator é tão acentuado que raramente ele refaz uma cena da mesma maneira, pois não fica satisfeito facilmente, sempre procurando maneiras de se aprofundar no personagem fazendo a cena exprimir realidade máxima”. Outro crítico dizia: “Sua interpretação é intuitiva e de uma beleza ímpar, e ele tem coragem para colocá-las em prática”!  O “Daily News” publicou:  “Quando a última cena desapareceu da tela do “Astor Theatre”, ontem à noite, surgia um novo astro – James Dean! ”
Porém seu sorriso espontâneo brotou exuberante quando ele se lembrou de ter conhecido, no “set” de filmagens ao lado do seu, a linda atriz Pier Angeli.  Naquele momento disse para si mesmo: “Ela, não é deste mundo”! 
Por um período viveram um idílio, tipo Romeu e Julieta. Não se desgrudavam, alugaram um bangalô na praia e lá passaram momentos maravilhosos! Ela o entendia e ele era para ela diferente, autêntico e sincero.
Com Pier, Dean tornou-se menos excêntrico e mais cuidadoso ao dirigir. 
Não perca o final da trilogia!

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