
A SUA ÚLTIMA AVENTURA 1
By Celso Ghebz Ghelardino
Gutierre
Naquela manhã Jimmy levantou mais cedo, vestiu rapidamente seu
jeans azul e a camiseta branca. Não havia dormido bem, estava ansioso, pois iria
testar seu novo carro em uma prova automobilística. Estava com pressa, pois seu amigo e mecânico Rolf Weutherich já devia estar esperando por ele, apanhou seus óculos de sol
e sua jaqueta vermelha e em instantes estava ao volante dirigindo-se à oficina
Competition Motors. Lá chegando seu mecânico se pôs a fazer os ajustes finais.
Após três horas estava pronto, Jimmy e Rolf acomodaram-se e
partiram sem mais delonga. O caminho para a estrada passava por belas alamedas ladeadas
por altas palmeiras. Em instantes deixavam Hollywood para trás rumando em direção
a Salinas, onde situava-se o autódromo. Conversavam sobre o carro e Rolf o cumprimentava
pela decisão de ir dirigindo: É bom, pois você vai pegando “as manhas” do
carro. É um salto muito grande, de um Speedster para um 550 Spyder. Na corrida,
tente ficar em segundo ou terceiro lugar. Corra pela experiência. Seu amigo
alemão sabia o que estava dizendo, pois embora ambos fossem modelos Porsche o
primeiro não tinha desempenho e esportividade, enquanto o segundo, fora
projetado para isso, com a carroceria feita de chapa de alumínio, extremamente
leve, o que o ajudava a atingir 240 Km/h.
Pegaram a autoestrada 99, atravessaram as
montanhas entre Los Angeles e Bakesrfield e a seguir tomaram a estrada 466. O sol se punha lentamente, pintando o céu com
cores tocantes entre o laranja e o vermelho. À distância as sombras insistiam
para sobressaírem. A brisa quente ainda soprava pelas curvas da estrada
estreita que serpenteava as colinas. Assim seguiram em direção ao destino.
Jimmy acelerou fundo quando a estrada tomou um traçado
retilíneo no vale. Mais à frente um policial sinalizou para encostar, após
advertência e multa por excesso de velocidade, foi liberado. O que não o intimidou
e assim que se livrou do agente voltou a acelerar. Além de amaciar o motor a ideia
era chegar à noitinha, vez que a prova aconteceria na manhã seguinte, sábado.
Pararam por pouco tempo para um lanche e logo estavam novamente na estrada.
À frente a visão mostrava
ilusoriamente as margens da pista se encontrando, como se não fossem paralelas.
Não havia, naquele momento, muitos veículos, o que era um convite a pisar fundo.
A velocidade era tal que as rodas pareciam apenas acariciar o
asfalto, às vezes o veículo aparentava flutuar acima da pista tal qual uma
miragem refletindo no asfalto ainda quente, sua pintura prateada reluzia os
últimos raios de sol. Logo a sombra surgiria no horizonte levando o vento morno.
O prazer ao sentir aquelas emoções o fez considerar como a vida era boa. Porém, apenas alguns segundos depois um carro
atravessa à frente para pegar a estrada 41 e Jimmy só vê o carro quando está muito
próximo, provavelmente pela alta velocidade e pelo lusco-fusco do entardecer. O
Spyder é atirado ao ar e capota várias vezes até parar. Seu amigo e mecânico
Rolf é lançado aproximadamente a seis metros do carro e havia fraturado o
maxilar e o quadril. Enquanto ele, próximo do seu carro, olhava tudo com espanto.
Nesse momento, em sequência rápida, passam imagens da sua vida, as suas
lembranças, desde a infância. O que o fez dizer em voz baixa: Que estranho eu
trazer à memória estas coisas, após eu capotar o carro, devo estar um tanto
quanto atordoado.
Não deixe de ver a continuação!
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