A Visão da Janela
By Celso Ghebz Ghelardino Gutierre
Estava em meu escritório, em casa,
quando deixei o note, onde trabalhava e
ouvia “The Way Old Friends Do” (O Jeito
Como
os Velhos Amigos Fazem).
Ao me aproximar da janela olhei o céu,
aliás, como sempre faço.
Havia algumas nuvens, com coloração variando
entre o laranja-avermelhado junto ao poente e
branca acinzentada, estas mais próximas dos meus olhos.
Não pude deixar de admirar a beleza sutil do
Artista divino. Meus pensamentos fluíam livremente,
quando lembrei
de alguns momentos difíceis da minha vida,
assim como o socorro que recebi
das Suas mãos invisíveis. A
reação automática foi a de gratidão,
enquanto lágrimas abundantes escorriam pela minha face.
Nesse momento a música terminou, deixei temporariamente
o meu local de êxtase para reiniciá-la novamente.
Ao voltar observei curiosa formação nas nuvens cinzas.
Formavam a figura de um homem crucificado.
Embora o rosto não estivesse nitidamente definido,
observei longos cabelos, os braços abertos, o tórax,
as pernas e por detrás o madeiro infamante do suplício.
Delírio do êxtase? Talvez, embora a imagem tenha permanecido
por longo tempo à minha frente.
Ou, quem sabe, uma demonstração de que minha
silenciosa prece de gratidão fora ouvida...
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