sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

ONDE EXISTE AMOR, ALI DEUS ESTÁ
MARTIM O SAPATEIRO (3ª parte - final)

Martim encheu dois copos de chá bem quente. Stephan pôs um torrãozinho de açúcar no copo e, assoprando, começou a tomar o chá, orando e agradecendo. Notou que Martim não parava de olhar para a rua e perguntou-lhe se esperava alguém. Martim contou-lhe da voz que ouvira e pôs-se a falar dos trechos que lera. Stephan não sabia ler e ouvia tudo com máximo interesse. 
Tomou mais dois copos de chá. Martim continuava comentando sobre a humildade de Jesus e de seus companheiros, tão simples como eles dois, mas que faziam milagres e demonstrações incríveis. Stephan, emotivo, estava com o rosto inundado de lágrimas. Levantou-se para sair e disse:
- Martim, tu alimentaste meu corpo e minha alma. Quero vir mais vezes conversar contigo pois quase nada sei dessas coisas e me fazem falta!
- Vem, sempre que quiseres, Stephan – disse Martim, enquanto voltava a seu trabalho. Mas continuava olhando de vez em quando a rua e então viu uma mulher com uma criança que chorava de frio.
Martim a chamou para dentro e perguntou-lhe o que fazia naquele frio, sem agasalho. Ela conta-lhe que havia sido despedida do emprego por causa da criança. Estava com frio e fome e penhorara tudo o que tinha, na véspera, para comer. Martim deu-lhe sopa e agasalhou a criança. A mãe a amamentou. Quando se levantou para sair, Martim lhe deu algumas roupas, dinheiro para alguns dias e para tirar do penhor as suas coisas. 
Anoitecia, Martim estava cansado da noite mal dormida. Acendeu a lamparina e se dispunha a ler sobre o nascimento de Jesus, quando ouviu uma voz, que saía de um canto do aposento:
- Martim! Aqui estou eu!
A figura sorridente, evanescente (que desaparece), de Stephan, passou por ele e sumiu passando pela porta sem abri-la.
Mal saíra Martim de seu espanto, quando a voz de novo se fez ouvir e passou a mulher com a criança nos braços, agradecida, desaparecendo na parede. Uma lufada de brisa virou as páginas do Evangelho e Martim foi ler. Estava escrito: “Tive fome e me deste de comer; tive sede e me deste de beber; era estrangeiro e me hospedaste; estava nu e me vestiste” (Mt. 25:35,36).
Outra lufada de vento e as páginas viraram novamente, agora Martim leu: “Em verdade, em verdade te digo: o que fizeres a um de meus pequeninos, a mim o fizestes! ”
Martim compreendeu tudo! JESUS O HAVIA VISITADO MESMO!

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