ONDE EXISTE AMOR, ALI DEUS ESTÁ
MARTIM O SAPATEIRO (3ª parte - final)
Martim encheu dois copos de chá bem quente. Stephan pôs um
torrãozinho de açúcar no copo e, assoprando, começou a tomar o chá, orando e
agradecendo. Notou que Martim não parava de olhar para a rua e perguntou-lhe se
esperava alguém. Martim contou-lhe da voz que ouvira e pôs-se a falar dos
trechos que lera. Stephan não sabia ler e ouvia tudo com máximo interesse. Tomou mais dois copos de chá. Martim continuava comentando sobre a humildade de Jesus e de seus companheiros, tão simples como eles dois, mas que faziam milagres e demonstrações incríveis. Stephan, emotivo, estava com o rosto inundado de lágrimas. Levantou-se para sair e disse:
- Martim, tu alimentaste meu corpo e minha alma. Quero vir
mais vezes conversar contigo pois quase nada sei dessas coisas e me fazem
falta!
- Vem, sempre que quiseres, Stephan – disse Martim,
enquanto voltava a seu trabalho. Mas continuava olhando de vez em quando a rua
e então viu uma mulher com uma criança que chorava de frio.
Martim a chamou para dentro e perguntou-lhe o que fazia
naquele frio, sem agasalho. Ela conta-lhe que havia sido despedida do emprego
por causa da criança. Estava com frio e fome e penhorara tudo o que tinha, na
véspera, para comer. Martim deu-lhe sopa e agasalhou a criança. A mãe a
amamentou. Quando se levantou para sair, Martim lhe deu algumas roupas,
dinheiro para alguns dias e para tirar do penhor as suas coisas.
Anoitecia, Martim estava cansado da noite mal dormida.
Acendeu a lamparina e se dispunha a ler sobre o nascimento de Jesus, quando
ouviu uma voz, que saía de um canto do aposento:
- Martim! Aqui estou eu!
A figura sorridente, evanescente (que desaparece), de
Stephan, passou por ele e sumiu passando pela porta sem abri-la.
Mal saíra Martim de seu espanto, quando a voz de novo se
fez ouvir e passou a mulher com a criança nos braços, agradecida, desaparecendo
na parede. Uma lufada de brisa virou as páginas do Evangelho e Martim foi ler.
Estava escrito: “Tive fome e me deste de comer; tive sede e me deste de beber;
era estrangeiro e me hospedaste; estava nu e me vestiste” (Mt. 25:35,36).
Outra lufada de vento e as páginas viraram novamente, agora
Martim leu: “Em verdade, em verdade te digo: o que fizeres a um de meus
pequeninos, a mim o fizestes! ”
Martim compreendeu tudo! JESUS O HAVIA VISITADO MESMO!
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