domingo, 22 de junho de 2025

FESTA JUNINA, como surgiu?

Adaptação de Celso Ghebz Ghelardino Gutierre

No mês de junho, comemora-se em todo o Brasil a Festa Junina, trazida pelos portugueses no início da colonização.

A princípio, a festa tinha conotação marcadamente religiosa, que com o passar do tempo foi-se transformando em festa popular. O nascimento das festividades, segundo estudiosos, tem origem no período do solstício de verão – passagem da primavera para o verão, que ocorre em junho na Europa – e tinham o objetivo de afastar os maus espíritos e de evitar que as pragas atingissem as colheitas. Eram promovidas por povos pagãos e acabaram incorporadas, quando o cristianismo se estabeleceu como religião oficial. Foi instituído pela Igreja Católica para facilitar a conversão dos pagãos, o que de forma semelhante aconteceu na comemoração do Natal, no mês de dezembro.

Aliás, falamos sobre o Natal, no ensaio: “Minha Mensagem de Natal” e a data do nascimento de Jesus, também estabelecida pela Igreja. O link dessa mensagem é: https://nolimiardeumanovaera.blogspot.com/search?q=Minha+Mensagem+de+Natal+

No caso, das festividades do meio do ano, a Igreja promoveu os Santos dessa época, Santo Antônio, São João e São Pedro, respectivamente dias 13, 24 e 29 de junho.

A Festa Junina era tradição popular em Portugal e na Espanha. Quando incorporada no Brasil era conhecida por Festa Joanina, uma referência a São João, e com o tempo passou a denominar-se Festa Junina, referência ao período de Junho. A evolução da festa junina no Brasil trouxe uma relação direta com símbolos característicos das zonas rurais.

Atualmente a região Nordeste é a detentora das maiores festas do país.

Nas Festas Juninas, as danças típicas “as quadrilhas”, não podem faltar. Há ainda os pratos tradicionais tais como, milho verde e seus derivados, amendoim, pé de moleque e tendo como bebida o quentão. 

“Durante a dança da quadrilha, alguns nomes de passos mencionados são de origem francesa, “anarriê”, “ampassã” e “tour”. Utilizados em decorrência da dança, herdada das festas da aristocracia francesa. Que também, deu origem aos vestidos armados, uma alusão aos nobres trajes usados nas cortes de França, e que aqui com a intenção irônica são feitos de “chita”.

“Oportuno é, neste momento, falarmos, também, das músicas tradicionais, surgidas no Rio de Janeiro e que se espalharam por todo o Brasil no período de 1930 a 1960, aliás, conhecido como a “Era de Ouro do Rádio” no Brasil. Nessa época as datas festivas eram obrigatórias nas agendas dos grandes compositores, cantores e gravadoras, havendo uma produção musical direcionada para cada data.  Entre tantas músicas, destacamos, Cai, cai balão (1933) de Assis Valente; Chegou a hora da fogueira (1933) de Lamartine Babo; Isto é lá com Santo Antônio (1934) de Lamartine Babo; Pula a Fogueira (1936) de Joao Bastos Filho & Getúlio Marinho; Noites de Junho (1939) de (Alberto Ribeiro Da Vinha & Joao De Barro); Pedro, Antônio e João (1939) de Osvaldo Santiago & Benedito Lacerda; Pra São João Decidir (1952) de Francisco Alves & Lupicínio Rodrigues; Último desejo (1937) de Noel Rosa; Sobe meu balão (1935) de Ary Barroso; Tempo Feliz (1952) de Francisco Alves & David Nasser; No meu tempo de criança (1940) de Custódio Mesquita; Sonho de Papel ‘ou o Balão vai subindo’ (1935) de Alberto Ribeiro; Chegou a Hora da Fogueira (1933) de Lamartine Babo, e tantas outras...

A indumentária dos participantes é uma atração à parte, normalmente vestindo-se de caipira, na maioria das vezes, de maneira engraçada.

A fogueira das Festas Juninas é herança das culturas grega, romana e celta. Povos que cultuavam as fogueiras como um agradecimento aos deuses pelas boas colheitas. A fogueira, tornou-se um símbolo marcante das festas.

Outro item que não pode faltar, são as bandeirinhas e que surgiram como uma forma de homenagear os três santos, Santo Antônio, São João e São Pedro, que inicialmente tinham as imagens coladas nas bandeirinhas. Antes de estenderam as bandeiras nos fios, elas eram mergulhadas na água corrente com a intenção de purificar o ambiente.

O casamento da Festa Junina, tem como destaque Santo Antônio, o santo casamenteiro, que vem da tradição dos pedidos feitos por moças em busca de marido. E, que o colocavam de cabeça para baixo em um balde com água até conseguirem um pretendente.

O casamento acontece com o pai da noiva apontando uma espingarda para o noivo. Cerimônia que é finalizada com os noivos já casados, puxando o início da quadrilha.

As festas juninas trazem “um ar de” saudade. Sensação de estar nos festejos de outrora, e que deixou boas lembranças em nossos corações.  

Vou deixar, também, o link do ensaio “É SÃO JOÃO” onde descrevo em detalhes algumas lembranças das Festividades de São João. Para quem não leu, recomendo a leitura. Para quem já leu, ler mais uma vez é a possibilidade de viajar, novamente, nas emoções de uma época inesquecível. O link dessa mensagem é: https://nolimiardeumanovaera.blogspot.com/search?q=%C3%89+S%C3%A3o+Jo%C3%A3o+

 Conteúdo:  Érica Caetano, jornalista, produziu o conteúdo para internet, voltado para o segmento educacional. 



 

11 comentários:

  1. Boa tarde Celso!
    Muito interessante os detalhes da origem da festa junina e demais detalhes.
    Acho que o pessoal mais experiente(para não dizer mais velho rsrsrs), com certeza tem ótimas lembranças destes saudosos momentos, quando era muito comum e rotineiro, que nossos pais cantarolavam essas melodias, as quais você citou, construindo uma relação inconfundível com a referida época.
    E mais ainda, era pertinente encontrarmos inúmeras fogueiras em cada esquina dos bairros que começavam a se desenvolver, inclusive nas ruas de nossas casas , que eram fechadas para tal evento.
    Bons tempos e ótimas lembranças!
    Abraços!

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    1. Boa tarde, Haroldo! Eu descrevo em detalhes uma das vezes que participei, tinha entre 6 e 8 anos, de uma festa Junina onde os moradores faziam, uma festa junina, em um terreno que ficava defronte a casa em que morávamos: Rua José Bonifácio, 58 (a casa era de seu avô, Hétori. O texto é "É SÃO JOÃO" e o link: https://nolimiardeumanovaera.blogspot.com/search?q=%C3%89+S%C3%A3o+Jo%C3%A3o+

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  2. Ótimo texto...
    Parabéns, muito esclarecedor, não conhecia a origen da festa Junina e de cada detalhe que você pontuou.
    Magnífico meu querido amigo...
    Abraço fraterno.

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    1. Obrigado Jefferson! Até iniciar a pesquisa, eu também não conhecia alguns fatos. É a nossa história dos festejos juninos.
      Grande abraço.

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  3. Muito legal a mistura de referências que fez a festa "virar o que virou". Parabéns pela pesquisa e pelo texto padrinho!

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Obrigado, Felipe! Podemos dizer: "Um caldo de cultura, com vários ingredientes."

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  4. Que interessante meu amigo, minha família adora festa junina, mas com certeza não tínhamos conhecimento de sua origem, eu mesmo apostaria que a origem era nordestina... Muito legal, abraço! Ivan Coral

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    1. Obrigado, por seus comentários, meu amigo. Eu também gosto muito das festividades Juninas.

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