sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

 

MARIA, MÃE SANTÍSSIMA

By Celso Ghebz Ghelardino Gutierre

Diante da cruz infame, Maria era a imagem de uma dor profunda e inesquecível.

Lembranças transportavam-na para o momento mágico, quando o Arcanjo Gabriel, anunciou que ela conceberia e daria à luz um filho chamado Jesus. Quando o profeta Simeão reconhece no bebê o Messias. Nesse instante supremo, Maria revia a manjedoura e parecia ouvir novamente o cântico de glória. Admirava-o por suas sábias perguntas, por suas brincadeiras e correrias dentro da casa simples, feita de pedra e barro, com apenas um cômodo.

As atitudes e os sentimentos íntegros de Jesus aconteciam desde pequeno, as palavras consoladoras que brotavam em seus lábios a fraternidade para com os desamparados e os tristes, as mãos minúsculas que conduziam desconhecidos tal qual irmãos.

Miseráveis louvavam-no, pois distribuía as bençãos do Céu.

Mais tarde, já adulto abraçava sua missão Celestial: “Paralíticos andavam, cegos voltavam a enxergar, os sedentos de amor eram saciados por suas lições”.

Nesse ínterim, Maria é trazida ao presente por insultos e zombarias de parte da multidão desvairada, instigada por sacerdotes contra Ele.

Rapidamente, mulheres ao seu lado passam a consolá-la... e alguém toca levemente seu ombro, era João que a abraça em apoio.

Nesse momento, já em agonia, Jesus, move a cabeça e diz: “Meu filho, meu amado filho... Mãe, eis aí teu filho! Filho, eis aí tua mãe! Ali, juntos, ficaram até a retirada de Jesus.

Nos dias seguintes, os discípulos partem para regiões diferentes empenhados na difusão da Boa-Nova.  Maria retira-se para a Bataneia, onde alguns parentes mais próximos a esperavam com especial carinho.

Os anos começaram a passar, silenciosos e tristes, para a angustiada saudade de seu coração.

Tocada por grandes dissabores, observou ásperas discussões entre os seus seguidores, assim como a formação de uma soberba espiritual em alguns.

Nesses momentos relembrava de Jesus trazendo Deus entre os homens.

A esse tempo, João, que levava a Boa-Nova, por outros rincões,  vai à Bataneia e encontra Maria. Conta-lhe a vida em Éfeso (na atual Turquia), onde o número de cristãos aumentava e a convida para seguir com ele, onde trabalhariam em conjunto.

A casinha pobre, distante, doada por um poderoso convertido ao amor, situava-se no alto de uma colina de onde avistava-se o mar, era como um altar da natureza. Seria o refúgio para os desamparados e, como mãe e filho lá ensinariam as verdades do Evangelho.

Em semanas, transformou-se em ponto de encontro dos humildes e sinceros. Assembleias memoráveis lá aconteciam, às vezes, iam até noite alta quando as estrelas tinham maior brilho. Decorridos alguns meses, grandes fileiras de necessitados acorriam ao sítio singelo e generoso. Enquanto João pregava na cidade as verdades de Deus.

Sua choupana era, então, conhecida pelo nome de “Casa da Santíssima”. Um pobre leproso, depois de aliviado em suas chagas, lhe beijou as mãos, murmurando: “Senhora, sois a mãe de nosso Mestre e nossa mãe Santíssima”.

João consolidava o conceito, pois somente a grandeza espiritual dela permitiu a vinda do emissário de Deus, através da nossa atmosfera pesada, escura e de baixa vibração. Maria, na sua humildade sincera, se esquivava das homenagens.

Diariamente, atendia os desamparados que buscavam suas palavras confortadoras.

Assim se passaram os dias, as semanas, os meses e os anos incessantes. a velhice não lhe acarretava nem cansaços, nem amarguras.

Suas meditações eram suaves, lembrava-se do filho amado. Às vezes, perfumes vagos, preenchiam a sua alma.

Súbito, recebeu notícias sobre dolorosas perseguições contra os fiéis a Jesus, eram escravizados, presos e muitos serviam de alimentos às feras.

Num crepúsculo estrelado, Maria entregou-se às orações, como de costume, pedindo a Deus por todos.

O ambiente era de soledade, mas não se sentia só, uma força singular lhe banhava a alma.

Extasiada nas suas meditações, Maria viu aproximar-se o vulto de um pedinte.

Como tantos outros disse: “Venho fazer-te companhia e receber tua benção”!

O peregrino lhe falou do Céu, de uma forma bela e inspiradora...

Que mendigo seria aquele que lhe acalmava as dores da alma? Nenhum lhe surgira até então para dar, era sempre para pedir.

Esse, trazia conforto espiritual, através da voz confiante e suave... os olhos de Maria umedeceram...

Foi quando ele lhe estendeu as mãos e falou: “minha mãe!” Nas mãos, ela viu duas chagas... olhou ansiosa para os pés, viu os ferimentos dos cravos...

Deus lhe enviava Jesus... Maria clamou com alegria: “meu filho! meu filho!

Ela tentou ajoelhar-se, Ele, porém levantando-a envolvido por uma auréola de luz celestial, se ajoelhou aos seus pés e, beijando-lhe as mãos disse: “Sim, minha mãe, sou eu!... Venho buscar-te, pois meu Pai quer que sejas no meu reino a rainha dos anjos...

No outro dia, João, avisado por dois portadores, regressa para assistir os últimos instantes da Mãe Santíssima.

Na alvorada aquela Alma Eleita se eleva da Terra.  Multidões de entidades angélicas à sua volta cantam hinos de glorificação.

Antes de se afastar da Terra ela deseja rever a Galileia. bastou a manifestação de sua vontade para que a conduzissem à região.

Lá, reviu todos os quadros do apostolado de seu filho.

A Caravana Espiritual se dispunha a partir, quando Maria se lembrou dos discípulos perseguidos... Esse pensamento imprimiu novo impulso às multidões espirituais que a seguiam de perto. 

Em poucos instantes avistava a cidade soberba e maravilhosa.

Mas, logo, seu olhar, indo além das aparências, descobre uma multidão que não estava nas vias públicas, mas em cárceres sombrios, onde centenas retratavam padecimentos atrozes.

Maria se aproxima de um a um, os condenados experimentam no coração um consolo desconhecido. Era a luz misericordiosa de seu espírito.

Ela desejou deixar-lhes uma lembrança eterna. Rogou ao Céu que lhe desse a oportunidade de deixar entre os cristãos oprimidos a força da alegria.

Aproximou-se de uma jovem encarcerada, magérrima e pálida e lhe disse ao ouvido: “Canta minha filha! Convertamos as nossas dores na Terra em alegrias para o Céu”!...

De olhos estáticos para cima, como a visualizar o firmamento e ignorando a razão de sua alegria inesperada, cantou um hino de amor a Jesus, transformando todas as suas amarguras em esperanças.

Daí a instantes, seu canto melodioso era acompanhado pelas centenas de vozes dos que antes choravam no cárcere. E, agora aguardavam o glorioso testemunho.

Logo a Caravana Majestosa conduziu ao reino do Mestre a bendita entre as mulheres, a nossa Mãe-Santíssima.

 

OBS.: Síntese do capítulo sobre Maria, da obra “BOA NOVA”, psicografada por Chico Xavier e ditada pelo Espírito Humberto de Campos. 

 



5 comentários: