terça-feira, 11 de julho de 2023

Jesus e Nicodemos

By Celso Ghebz Ghelardino Gutierre

 

Recentemente, em uma palestra, abordamos um diálogo entre Jesus e Nicodemos, que transcrevemos a seguir.  

Desde o surgimento de Jesus era grande o número de doutores da lei descontentes, devido as suas ações generosas.

Jesus era citado no templo de Jerusalém, nas sinagogas, nas praças públicas. Os mais humildes e os pobres viam no Messias o enviado de Deus, aquele que distribuía paz e consolação. Os servos o sentiam com todo o calor do coração reconhecido.

Era generoso com as faltas alheias, todavia, lutava contra o mal com tanta intensidade que passou a ser detestado por aqueles que tinham objetivos inconfessáveis.

Entretanto, havia aqueles que acompanhavam os passos de Jesus, tocados por seus elevados conceitos morais. E, Nicodemos, fariseu de bom coração e de destacada inteligência, era um mestre, um doutor da Lei e membro do Sinédrio (a Suprema Corte dos Judeus).  

Após muito pensar, em uma noite, procurou Jesus, impressionado com as realizações, bem como, pela grandeza de seus ensinamentos.

- Mestre, compreendo que suas realizações são possíveis unicamente através da inspiração divina. Dedico minha vida à interpretação da lei, mas gostaria de ouvir a sua palavra a respeito do Reino de Deus.

O mestre sorriu e disse: - Não é suficiente interpretar a lei, mas sentir o que dizem os seus textos. Em verdade, ninguém conhecerá o Reino do Céu, sem nascer de novo.

-  Como pode um homem nascer de novo, sendo velho? Perguntou surpreso.

- És mestre em Israel e ignoras estas coisas? É natural que testemunhe somente o que saiba, todavia, tu ensinas. Apesar disso, não aceitas os nossos testemunhos.

Se eu falando das coisas terrenas, tu sentes dificuldades, como poderás aceitar quando eu vos falar das celestiais? Extremamente confundido, se retirou o fariseu.

Jerusalém quase dormia sob o véu espesso da noite alta. Silêncio profundo se fizera sobre a cidade. Jesus, no entanto, e aqueles dois discípulos continuavam presos à conversação particular que haviam entabulado. Desejavam eles ardentemente penetrar o sentido oculto das palavras do Mestre.

André e Tiago, pediram esclarecimentos sobre a nova lição. Como seria possível aquele renascimento?

Jesus os olha e diz, com aquela paz que só ele possuía: - O corpo é uma veste. O homem é seu dono, como filho de Deus, encontra em seu amor a mudança do vestuário. A morte é essa mudança indispensável, porque a alma caminhará sempre, através de outras experiências, até conseguir a luz para a estrada definitiva no Reino de Deus, com toda a perfeição conquistada ao longo dos rudes caminhos.

André pergunta: - Mestre, se o corpo é como a roupa da alma, por que não somos todos iguais? Vejo saudáveis e belos jovens, junto de aleijados e paralíticos...

– Cada alma conduz consigo o inferno ou o céu que edificou na consciência. Seria justo conceder uma segunda veste mais perfeita e mais bela ao espírito rebelde que estragou a primeira?

- Senhor, compreendo agora o mecanismo do resgate - murmurou Tiago. Mas, desse modo sempre haverá o mal e o sofrimento?

- Dentro da lei de Moisés, como ocorre a redenção? Pergunta o Mestre.

- “Olho por olho, dente por dente”, reponde Tiago.

- Também tu, Tiago, estás procedendo como Nicodemos - replicou Jesus com generoso sorriso.  Ainda não ponderaste, talvez, que o primeiro mandamento da lei é uma determinação de amor. Porém, o amor está acima da justiça do mundo, pois é ele que cobre a multidão dos pecados.

Ante as elucidações do Mestre, os dois discípulos estavam maravilhados.

André e Tiago calaram as derradeiras interrogações. Aquela palestra particular, entre o Senhor e os discípulos, permaneceria guardada na sombra leve da noite em Jerusalém; mas, a lição a Nicodemos estava dada.

Em nossa interação com o mundo, como agimos? À semelhança de Nicodemos, interpretando as leis ou sentindo o que dizem os seus textos? Pensando na justiça humana como instrumento de vingança, ou, aplicando o maior mandamento de Deus... 

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento! Esse é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo é semelhante a esse: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. E concluiu sua fala, dizendo: Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. (Mateus XXII:34 a 40)

Referência: Adaptação do livro “Boa Nova” de Humberto de Campos, psicografado por Chico Xavier.  


 

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