Jesus e Nicodemos
By Celso Ghebz Ghelardino
Gutierre
Recentemente,
em uma palestra, abordamos um diálogo entre Jesus e Nicodemos, que
transcrevemos a seguir.
Desde
o surgimento de Jesus era grande o número de doutores da lei descontentes,
devido as suas ações generosas.
Jesus
era citado no templo de Jerusalém, nas sinagogas, nas praças públicas. Os mais
humildes e os pobres viam no Messias o enviado de Deus, aquele que distribuía
paz e consolação. Os servos o sentiam com todo o calor do coração reconhecido.
Era
generoso com as faltas alheias, todavia, lutava contra o mal com tanta
intensidade que passou a ser detestado por aqueles que tinham objetivos
inconfessáveis.
Entretanto,
havia aqueles que acompanhavam os passos de Jesus, tocados por seus elevados conceitos
morais. E, Nicodemos, fariseu de bom coração e de destacada inteligência, era
um mestre, um doutor da Lei e membro do Sinédrio (a Suprema Corte dos Judeus).
Após
muito pensar, em uma noite, procurou Jesus, impressionado com as realizações,
bem como, pela grandeza de seus ensinamentos.
-
Mestre, compreendo que suas realizações são possíveis unicamente através da inspiração
divina. Dedico minha vida à interpretação da lei, mas gostaria de ouvir a sua
palavra a respeito do Reino de Deus.
O
mestre sorriu e disse: - Não é suficiente interpretar a lei, mas sentir o que
dizem os seus textos. Em verdade, ninguém conhecerá o Reino do Céu, sem nascer
de novo.
- Como pode um homem nascer de novo, sendo
velho? Perguntou surpreso.
-
És mestre em Israel e ignoras estas coisas? É natural que testemunhe somente o
que saiba, todavia, tu ensinas. Apesar disso, não aceitas os nossos
testemunhos.
Se
eu falando das coisas terrenas, tu sentes dificuldades, como poderás aceitar
quando eu vos falar das celestiais? Extremamente confundido, se retirou o
fariseu.
Jerusalém
quase dormia sob o véu espesso da noite alta. Silêncio profundo se fizera sobre
a cidade. Jesus, no entanto, e aqueles dois discípulos continuavam presos à
conversação particular que haviam entabulado. Desejavam eles ardentemente
penetrar o sentido oculto das palavras do Mestre.
André
e Tiago, pediram esclarecimentos sobre a nova lição. Como seria possível aquele
renascimento?
Jesus
os olha e diz, com aquela paz que só ele possuía: - O corpo é uma veste. O
homem é seu dono, como filho de Deus, encontra em seu amor a mudança do
vestuário. A morte é essa mudança indispensável, porque a alma caminhará
sempre, através de outras experiências, até conseguir a luz para a estrada
definitiva no Reino de Deus, com toda a perfeição conquistada ao longo dos
rudes caminhos.
André
pergunta: - Mestre, se o corpo é como a roupa da alma, por que não somos todos
iguais? Vejo saudáveis e belos jovens, junto de aleijados e paralíticos...
–
Cada alma conduz consigo o inferno ou o céu que edificou na consciência. Seria
justo conceder uma segunda veste mais perfeita e mais bela ao espírito rebelde
que estragou a primeira?
-
Senhor, compreendo agora o mecanismo do resgate - murmurou Tiago. Mas, desse
modo sempre haverá o mal e o sofrimento?
-
Dentro da lei de Moisés, como ocorre a redenção? Pergunta o Mestre.
-
“Olho por olho, dente por dente”, reponde Tiago.
-
Também tu, Tiago, estás procedendo como Nicodemos - replicou Jesus com generoso
sorriso. Ainda não ponderaste, talvez,
que o primeiro mandamento da lei é uma determinação de amor. Porém, o amor está
acima da justiça do mundo, pois é ele que cobre a multidão dos pecados.
Ante
as elucidações do Mestre, os dois discípulos estavam maravilhados.
André
e Tiago calaram as derradeiras interrogações. Aquela palestra particular, entre
o Senhor e os discípulos, permaneceria guardada na sombra leve da noite em
Jerusalém; mas, a lição a Nicodemos estava dada.
Em
nossa interação com o mundo, como agimos? À semelhança de Nicodemos, interpretando
as leis ou sentindo o que dizem os seus textos? Pensando na justiça humana como
instrumento de vingança, ou, aplicando o maior mandamento de Deus...
“Amarás
o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu
entendimento! Esse é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo é semelhante
a esse: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. E concluiu sua fala, dizendo: Destes
dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. (Mateus XXII:34 a 40)
Referência: Adaptação do livro
“Boa Nova” de Humberto de Campos, psicografado por Chico Xavier.

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