Os Incríveis Anos de 1920 – cem anos depois
By Celso Ghebz Ghelardino Gutierre
Sinceramente,
eu nunca imaginei que os anos mais marcantes do século XX tivessem acontecido
entre 1920 e 1929. Se perguntado, minha resposta seria os anos 1950.
Entretanto, o
grande marco do século foram os anos 1920, período pós primeira Guerra Mundial
– 1914/1918 –, de euforia, grande otimismo e que teve como maior expoente os
Estados Unidos da América.
Mas, o que
influenciou e fez os incríveis e loucos anos 1920? Ivan Sant’Ana em seu livro
“1929” diz: “Além do cinema, dos gramofones, das saias curtas, dos carros de
Detroit e das noitadas em ‘Speakeasies´(bares clandestinos que serviam bebidas
alcoólicas, durante a Lei Seca), outras modas excitantes surgiam”.
Tudo isso era
embalado pelo “Jazz”, onde se dançava preferencialmente o “Foxtrot”
(visualmente assemelhada à valsa) ou o “Charleston” (dança mais agitada), onde
as mulheres ao moverem o corpo mostravam mais as pernas.
Aliás, a
liberdade feminina atingia patamares nunca dantes sonhados, elas bebiam,
fumavam, falavam de sexo e se divertiam com homens, coisas impensadas até então.
O jeito de se vestir e de “marcar presença” era inspirado nas atrizes de
Hollywood. Os cabelos, agora curtos, obedeciam ao estilo “à la garçonne”.
Uma série de
fatores contribuiu para essa mudança de comportamento. Iniciando-se quando as
mulheres substituíram os homens, que estavam em combate na primeira guerra
mundial, pois, com o dinheiro ganho tornaram-se mais independentes, a seguir
conquistaram, também, o direito de votar. Nessa época, destacava-se a famosa
estilista Coco Chanel, responsável pelo novo estilo de roupa feminina, mais
confortável, entre elas, as calças compridas. Seu cabelo inspirou mulheres do
mundo todo, o famoso corte Chanel, usado ainda hoje.
No cinema
mudo, pois o som sincronizado surgiria apenas em outubro de 1927, através do
filme “The Jazz Singer” (O Cantor de Jazz), despontavam astros como Charlie
Chaplin, Tom Mix, Douglas Fairbanks, Mary Pickford, Stan Laurel e Oliver Hardy,
entre outros.
Mas, era um
grupo de escritores americanos vivendo em Paris que balançava o mundo
intelectual. Foram os rotulados de geração perdida e eram eles: Ernest
Hemingway, Scott Fitzgerald, Tom S. Eliot e Ezra Pound, entre outros. (O filme de
Wood Allen, “Meia Noite em Paris” os descreve muito bem).
Também foi a
década do expressionismo alemão no cinema. No Brasil acontecia a Semana da Arte
Moderna (realizada em São Paulo em 1922).
A América do
Norte, era o país que mais gerava riquezas no mundo, cuja economia crescia
vertiginosamente, suas indústrias não só atendiam a crescente demanda interna,
mas exportavam seus produtos para muitos países, especialmente a Europa,
arrasada pelo recém terminado conflito. A produção automobilística crescia
vertiginosamente, somente no ano de 1928, a Ford produzia dois milhões
(2.000.000) de veículos. Foi um período sem precedentes para a “América”, a
população americana beneficiada por melhores salários e crédito podia comprar
casas, carros, frequentar restaurantes, cinemas, teatros, coisas que outrora
apenas os mais abastados faziam. Surgia
a febre do investimento em ações, muitos emprestavam dinheiro para compra-las e
por um período ganharam bastante dinheiro, por esse motivo acreditavam que
seria sempre assim.
Porém havia
alguns contrapontos, por exemplo, o consumo de álcool, nesse período, era proibido
(Lei Seca), o comércio ilegal passou a ser controlado por organizações
criminosas, tais como, a Máfia, e a violência cresceu exponencialmente.
O final da
década de 1920, acabou de forma trágica. Todo aquele progresso alucinante levou
à maior queda da história. Os países europeus,
principais importadores de bens dos EUA, estavam em franca recuperação de suas
indústrias e com a queda das exportações, as ações despencaram. Somadas as práticas
ilegais de Wall Street, cometidas em seus bastidores, aliadas ao comportamento
inconsequente da população e a negligência do governo, a maior economia do
mundo foi à bancarrota, levando à ruína, milhões de pessoas sem condições de
pagarem seus empréstimos, e pior, sem emprego... foi a Grande Quebra da Bolsa
de Valores de Nova Iorque.... Crise que se alastrou atingindo drasticamente a
economia global, somente superada em 1939.
Todavia, foi
um importante período histórico da humanidade, o cinema se estabeleceu como
forma de arte, a literatura tornou-se sólida e difundiu-se como nunca, a moda
inovou e ficou prática e a música estabeleceu novos padrões de ritmos e
tendências.
E, acima de tudo, a década de 1920 trouxe profundo ensinamento, resumido nesta pequena frase: “Cientes dos erros do passado, podemos evitar fracassos no presente”.
ALGUMAS INFORMAÇÕES FACILITADORAS
1. Expressionismo: Movimento artístico e cultural de vanguarda,
surgido na Alemanha no início do século XX, transversal (lateral, no sentido de
à margem) aos campos artísticos da arquitetura, artes plásticas, literatura,
música, cinema, teatro, dança, fotografia. Resumindo pode-se dizer uma ruptura
com o tradicional (rebeldia).
2. Movimento modernista: Inspirado pelas inovações artísticas das
vanguardas europeias (cubismo, futurismo, dadaísmo, expressionismo e
surrealismo), ele teve como marco inicial a Semana da Arte Moderna, no Theatro
Municipal de São Paulo em 1922.
REFERÊNCIAS
Wikipédia; documentário Os Loucos Anos 20 (You Tube).


Muito interessante!
ResponderExcluirSempre importante relembrar....
Abraços!
Obrigado Haroldo! Sim, são grandes lições.
ExcluirOlá parece que está era a forma de sabermos se éramos felizes, e assim o ser humano começou a globalização, seria eu feliz na vila nhocune ou seria feliz em Bervelly Hills? É o mundo que vivemos?
ResponderExcluirOs anos 1920 nos mostraram o quanto podemos realizar, e simultaneamente o quanto podemos errar. Uma lição do passado para os dias de hoje.
ExcluirLindo texto! História é sempre um " recordar ou aprender ". Parabéns!!
ResponderExcluirObrigado! Ou ambos!
ExcluirComo eu respondi para outro amigo e leitor: "Os anos 1920 nos mostraram o quanto podemos realizar, e simultaneamente o quanto podemos errar. Uma lição do passado para os dias de hoje".
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