sexta-feira, 27 de março de 2020

The Beatles, você sabia? ...
By Celso Ghebz Ghelardino Gutierre

O objetivo não é falar extensivamente sobre The Beatles, considerada a banda mais influente de todos os tempos, pois daria um livro, mas sobre certos fatos pouco conhecidos.
O fundador da banda foi John Lennon, inicialmente chamada de Quarrymen (nome da escola em que ele estudava). Os membros que estariam nos Beatles além de John eram Paul e George. Anos depois quando o baixista da banda Stuart Sutcliffe saiu, Paul McCartney deixou a guitarra e assumiu o baixo, e o fez de tal forma que alguns críticos afirmam que há dois momentos importantes para os músicos do instrumento: Antes e depois de McCartney (Before and after McCartney).
John, além de ser o mais rebelde, tinha tiradas geniais e provocativas*, especialmente em entrevistas, sem ele a banda não teria a mesma projeção, todavia Paul disparadamente era o melhor músico, e melhor solista vocal, tanto que era chamado o rei do palco, sem ele a banda não teria tamanha criatividade musical, portanto, não teria, também a projeção que teve!
*Em um show no Prince of Wales Theatre, os Beatles foram a última atração, em um camarote estava a rainha Elizabeth I – mãe da atual rainha da Inglaterra e acompanhada por alguns membros da corte – antes de cantar a última música, John disse: Vou pedir a ajuda de vocês. As pessoas da geral podem bater palmas. Os demais podem sacudir as joias. A seguir deu um sorriso matreiro e iniciou “Twist and Shout”...
O fenômeno protagonizado por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, os “Fab Four” começou na Inglaterra e se propagou pelo mundo a partir dos Estados Unidos no final de 1963. Era a Beatlemania que com a música “I Want to Hold Your Hand” chegou ao primeiro lugar nos EUA.
"I Want to Hold Your Hand" também foi lançado nos Estados Unidos no LP (Long-Play) Meet the Beatles (na versão original inglesa ela não fazia parte), que alterou as paradas americanas ao vender mais do que o single (Compacto simples). Dois meses após o lançamento do LP, ele alcançou 3.650.000 cópias, à frente do single "I Want to Hold Your Hand", com 3.400.000 cópias. Somente em Nova York o single vendia 10.000 cópias por hora!
Tal volume de vendas em tão pouco tempo nunca havia acontecido no mundo, a Capitol, subsidiária da EMI nos EUA, não conseguia atender a demanda e foi obrigada a contratar a Columbia Records e a RCA para ajudar na prensagem dos discos.
  Durante a primeira semana de abril em 1964, os Beatles mantiveram as 5 posições do topo na tabela Billboard das Top 100. Nunca alguém tinha conseguido chegar nem perto de tal façanha, fato até hoje inédito. 


O ritmo de atividade era intenso, pois além dos shows, eles tinham que produzir 2 LPs por ano com 14 músicas cada, além de 3 singles (CS), e eles não repetiam nos LPs as músicas dos singles, logo eles tinham que providenciar 28 músicas para os LPs e 6 para os singles todo ano, sem dúvida esse fato contribui para que Lennon e McCartney se tornassem uma das mais influentes e bem-sucedidas parcerias musicais de todos os tempos, escrevendo as canções mais populares da história do rock, pois John e Paul estabeleceram que cada nova música deveria ser melhor que a anterior.   


Os álbuns oficiais da banda. 
   1.   Please, Ples Me (1963)
  2.   With the Beatles (1963)






3.   A Hard Day’s Night (1964)








4.   Beatles for Sale (1964)








5.   Help!  (1965)


A música Yesterday, segundo McCartney, apareceu em um sonho e para não esquece-la ele se levantou e em um piano que tinha no quarto a compôs. Foi incluída neste LP onde ele a interpreta individualmente, tocando uma guitarra acústica, com um quarteto de cordas, sugerido pelo produtor musical George Martin.
"Yesterday" é conhecida como a canção com mais gravações na história da música popular, e sua entrada no Guinness World Records, em janeiro de 1986, afirma que a canção foi regravada mais de três mil e duzentas vezes.
Os cinco primeiros LPs, tinham, em média dez músicas da dupla Lennon & McCartney e quatro covers de artistas que admiravam, com exceção do terceiro que continha todas as músicas compostas por eles.





6.   Rubber Soul (1965)





Nesse disco começa a mudança. As letras ficam mais maduras e poéticas, bem como o som torna-se mais vasto e sofisticado. Rubber Soul foi considerado o mais inovador álbum de rock lançado até então. 






7.   Revolver (1966) 


Mais inovador do que Rubber Soul, é o disco que começa a flertar com a movimento Psicodélico. Eles estão cada vez melhores e mais inovadores.
Eleanor Rigby é mais uma música de McCartney gravada individualmente, onde posteriormente foram acrescidos os arranjos orquestrados.
 





8.  Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967)

O nome Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, surgiu da ideia de Paul de um disco que representasse um grupo ficcional, que seria o álter ego dos Beatles.
Ao ouvir Sgt. Pepper’s constata-se que é tecnicamente a evolução do Rubber Soul e do Revolver. Essa evolução na qualidade musical não é por acaso, enquanto John, George e Ringo recolhiam-se em suas mansões na periferia de Londres, Paul, a partir de fins de 1965 era presença constante, no movimento Underground (cultura que foge aos padrões comerciais, de modismos nem sempre divulgados pela mídia) de Londres. Estava sempre presente em tudo o que envolvia cultura e arte, assistia shows de novas bandas, inclusive Pink Floyd (ainda antes de gravarem o primeiro disco), saraus, vernissages, que sem dúvida o influenciaram na elaboração do álbum. Sua capa dupla artisticamente produzida com fotos e letras inovaram. Foi o primeiro LP a ser chamado de álbum, ou seja, uma obra completa por si só e não apenas um disco que contém a reunião de várias músicas, como se fosse um show.

A revista Rolling Stone o considera o melhor álbum já feito na história, pois foi marcante na forma de produzir músicas, com composições sendo realizadas durante as gravações. Revolucionou no designer gráfico, desenvolvida pelos artistas de “pop art” Peter Blake e Jann Haworth a partir de desenhos de Paul. Por isso é considerado o disco mais inovador da história, mudou os caminhos da música, tornou-se um clássico monumental, enfim, uma obra prima absoluta.
É também considerado o primeiro disco conceitual, tal qual uma peça de teatro ou filme.
A revista Time o considerou “uma evolução histórica no progresso da música”. A New Statesman elogiou sua elevação de música pop ao nível de arte. 
O disco tornou-se sucesso comercial e crítico imediato, permaneceu na primeira posição por 27 semanas no Reino Unido e por 15 semanas nos Estados Unidos.
Certa vez perguntaram a McCartney o que o havia inspirado na ideia do Sgt. Pepper’s, ele respondeu: “Pet Sounds dos Beach Boys” (banda de rock and roll californiana). Depois dessa resposta procuraram Brian Wilson, líder dos Beach Boys, para ouvir o que ele achava. A resposta dele foi a mais sincera e humilde possível: “Eu me inspirei no álbum Rubbersoul dos Beatles para fazer Pet Sounds”! 
  9.   Magical Mistery Tour (1967)
McCartney teve a ideia de criar um filme baseado nos Beatles e sua música.
Foi lançado no Reino Unido, no Brasil e no resto do mundo, no formato EP (Extended play, compacto duplo no Brasil), com quatro músicas; neste caso eram dois compactos duplos com três músicas cada um. Nos Estados Unidos foi lançado como LP com onze músicas, sendo que o lado B continha músicas dos compactos lançados em 1967. A partir de 1987 no Reino Unido e no resto do mundo foi adotado como “oficial” o LP, e o compacto deixou de existir.
  10.   White Album (1968)
Contém dois LPs com 30 músicas.
A capa branca foi um contraste à capa do Sgt. Pepper’s, mas não só, as músicas também mostram um retorno ao Rock and Roll, além de, uma produção mais simples.

Em 1997 foi classificado pela revista Rolling Stone como o décimo entre 500 álbuns. De acordo com a Associação da Indústria de Discos da América, o disco é 19 vezes disco de platina (19 milhões de cópias) e o décimo disco mais vendido nos Estados Unidos.
  11.   Yellow Submarine (1969)
É a trilha sonora para o desenho de mesmo nome.
Contém no lado A seis músicas dos Beatles e no B seis de George Martin (produtor musical da banda) e uma dos Beatles. Foi feito por força de contrato, pois era a trilha sonora do desenho. Comparativamente está aquém do nível de qualidade dos Beatles.
  12.   Abbey Road (1969)
Embora tenha sido o penúltimo álbum lançado pela banda, foi o último a ser gravado.
O disco tem dois lados bem distintos entre si. O lado A feito para agradar a Lennon e o B para agradar a McCartney. A ideia de juntar músicas inacabadas criadas pelos dois, tal qual fosse um enorme medley foi de Paul, todavia, não pode ser considerado um disco conceitual como Sgt. Pepper’s.

Antes de Abbey Road houve sessões de gravação infrutíferas do álbum chamado inicialmente de Get Back, mais tarde denominado de Let it Be. Depois desse caos, Paul conversou com George Martin propondo que fizessem um álbum como nos velhos tempos e assim foi feito.  O álbum foi considerado por muitos críticos como o melhor do grupo e segundo a revista Rolling Stone o 14° melhor álbum de todos os tempos.
 13.   Let it Be (1970)
O último álbum lançado pela banda, na realidade o penúltimo a ser gravado.
Planejado para ser uma volta às raízes o álbum e documentário Get Back, rebatizado depois de Let it Be, manifestava o desejo de McCartney de ver os Beatles tocando ao vivo novamente, ponto de vista que não agradava os demais, especialmente George Harrison, que declarou que estava saindo da banda e que teve como resposta de Lennon: chamaremos Eric Clapton para ocupar seu lugar, mas McCartney não concordou dizendo: “Os Beatles sempre serão os quatro e mais ninguém”.
Gravaram algumas músicas no telhado dos estúdios da Apple para o filme, até a polícia pedir para pararem, pois, as ruas no entorno estavam em alvoroço. Essa foi, no dia 30 de janeiro de 1969, a última apresentação pública dos Beatles. 
Em dezembro os Beatles pediram a Glyn John para produzir o álbum, todavia não gostaram do trabalho apresentado por ele.
Realizaram a última sessão de gravação em 4 de janeiro de 1970, sem Lennon, que já havia deixado o grupo. Em março as gravações foram entregues ao produtor americano, Phil Spector, para refazer o trabalho. George Martin, cansado das brigas dos Beatles, recusou a participar na produção. 
Assim, Spector refez a mixagem final do disco, além de fazer modificações em algumas músicas.
O disco foi lançado em maio de 1970 e desgostou principalmente a McCartney, pois segundo ele, Spector descaracterizou a obra.
Algo que merece ser mencionado é o fato de McCartney não ter todo o reconhecimento merecido, aliás, Harrison também não teve.
Desde o início da banda, McCartney sempre foi o mais esforçado e disciplinado e isso chamou atenção do produtor musical George Martin.
O primeiro álbum solo de Paul, após a separação, chamou-se McCartney, é conhecido por Paul ter tocado todos os instrumentos e gravado todos os vocais.  Aliás, na época dos Beatles ele fez, por exemplo, o solo de guitarra de várias músicas, entre elas, Another Girl (Help), em Drive My Car (Rubbersoul),  em Taxman (Revolver), assim como em Sgt. Pepper’s Lonely Heart Club Band e Good Morning Good Morning (ambas do Sgt. Pepper’s), em Back in the USSR além de ter feito a música e o solo, também tocou bateria, em Dear Prudence, Martha e My Dear (White álbum), em The Ballad of John and Yoko, Paul, também, está na bateria.
O FIM
No início os dois grandes egos da banda, Lennon e McCartney, competiam entre si, o que era saudável em termos criativos, porém com o passar do tempo as coisas mudaram e complicaram-se. Até que chegou o momento em que cada um dos quatro, queria seguir seu próprio caminho, ou seja, se libertar da imagem do grupo Beatles.   
Então, assim como disse John Lennon, “The dream is over” ou “O sonho acabou”! 

Referências: Wikipédia; Bruno Ascari e Régis Tadeu, ambos no YouTube.



  





                

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