segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

O Natal solitário

By Celso Ghebz Ghelardino Gutierre


Existem passagens em nossas vidas que são inesquecíveis e esta é uma delas.

Quando criança, eu sonhava com as estrelas.

Na véspera de Natal ia dormir mais cedo, sem esperar a ceia. Dormindo, eu não percebia as horas passarem, assim o encontro com o presente, debaixo da árvore, acontecia mais rápido.

Com o passar dos anos, a ceia assumiu maior importância. Entes queridos e amigos especiais, reunidos em confraternização. A mesa repleta com frutas de época, peru de Natal, “tender”, arroz de Natal, panetone, mousse, as frutas secas, nozes, amêndoas, castanhas e avelãs.

E, isso aconteceu por muitos anos, até que... Um Natal teve configuração singular, foi aquele em que passei sozinho. Aliás, foram dois, mas o último foi adornado com rara beleza.

Por volta das 20 horas já era percebida a ansiedade das pessoas nas casas de entorno, que só foi aumentando com a aproximação da meia-noite. Nesse período, envolvido pelo silêncio em que me encontrava, pensava eu sobre as voltas que a vida dá. Quanta coisa, que eu sequer sonhara. havia acontecido; oportunidades que deixei passar; pessoas que conheci, algumas que se tornaram grandes amizades, outras passageiras tais quais chuva de verão.

Em dado momento resolvi preencher o vazio com música, de Natal, claro... Assim dei início a minha ceia, com “tender”, queijo, vinho e nozes.

Todavia, eu queria fazer algo que tivesse uma correlação maior com a data em que se comemora o nascimento do Menino Jesus.

Passava da meia-noite quando resolvi fazer uma prece e a leitura da crônica de Leon Tolstoi, “Onde existe amor, Deus aí está! ”. Fiz a leitura em voz alta e em dado momento minha voz cada vez mais eloquente reverberava em minh’alma, já não me via em leitura, mas dentro do texto. Bem antes de terminá-la meu rosto já estava inundado de lágrimas e o ambiente encontrava-se sob efeito de um brilho que não era proporcionado unicamente pelas lâmpadas. Espargia amor não apenas de meu coração, mas de corações que meus olhos não viam. Senti que não me encontrava só.

Se antes eu sonhava com as estrelas, agora eu era envolvido pelo brilho delas!

Esse Natal foi sem dúvida o mais marcante que passei, foram momentos que não esquecerei jamais.

Foi uma noite mágica. De alguma forma, amigos vindos de outras esferas me fizeram companhia e proporcionaram imensa alegria que, neste momento, compartilho com todos vocês.   

Feliz Natal!!! 


8 comentários:

  1. Lindo texto, amigo! Imagino que esta seja a melhor forma de se passar um Natal sozinho. Vou reservar esta crônica de Tolstói para ler. Um abraço e Feliz 2019!

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    1. Bom dia, amigo Thomaz. Posso lhe garantir que foi! Grande abraço, obrigado pelas palavras e feliz ano novo!

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  2. Boa tarde Celso!

    Sem dúvida a época do Natal marca sempre nossas vidas, como você bem colocou, de acordo com as diversas fases de nossas idades.
    Maravilhoso o seu testemunho, referente a manifestação de Deus!
    Assim como você fez, que possamos lembrar mais de Jesus nesse tempo natalino, fazendo Dele, o motivo principal das comemorações!
    Abraços!

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    1. Sem dúvida, a manifestação foi maravilhosa! Muito obrigado pelas palavras. Abração!

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  3. Linda experiência, obgda por compartilhar novamentw

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    1. Muito obrigado! Muitos novos amigos não conheciam e outros, tais quais você, gostam de rever...

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  4. Texto maravilhoso, consegui sentir a emoção em cada parágrafo.
    Obrigada por compartilhar 🙏

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    1. Muito obrigado, fico muito feliz em ler suas palavras. Na realidade foi um momento intenso, um dos mais bonitos que vivenciei, o que me inspirou a compartilhar.

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