
(IMAGEM GOOGLE)
O Samurai
By Celso Ghebz
Ghelardino Gutierre
A
aprendizagem é contínua, e os ensinamentos obtidos através das experiências
também, sobretudo daquelas mais difíceis, que contemplam marcantes lições.
Dessas, decorrem questionamentos profundos e diversos que, envolvem caráter,
coragem, paciência...
O
código de honra dos antigos guerreiros pressupunha, como prioridade, respeito
para com o inimigo. O motivo do confronto podia ser diverso, mesmo que fosse
por discordância de opinião ou pensamento. Se ocorresse a morte do oponente,
ele seria honrado pelo vencedor que providenciaria inclusive sua homenagem
póstuma. (O adversário era respeitado pela sua força e nobreza de caráter).
E,
só há mérito na vitória se o oponente for um grande guerreiro.
No
dia-a-dia, as lutas acontecem não somente nos campos de batalha ou nas arenas.
Elas fazem parte de nossas vidas. Lutas que são decisivas para o nosso
progresso como seres integrais que somos, independentemente se vencemos ou
perdemos.
Haverá
momentos em que o espírito da paz, o ceder para não confrontar, demonstrará
coragem maior, embora aqueles que ainda vivem apenas as sensações aparentes não
consigam perceber.
A
história do velho samurai exemplifica bem isso.
O velho Samurai
Próximo a Tóquio, vivia um famoso samurai.
Apesar de sua idade, corria a lenda de
que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário. Aos seus jovens alunos,
não ensinava apenas temas pertinentes a um guerreiro samurai, mas, igualmente,
a filosofia zen, que busca a iluminação pessoal através da meditação.
Certa tarde, apareceu um jovem
guerreiro, famoso por sua técnica da provocação e total falta de escrúpulos.
A sua estratégia era desestabilizar o
adversário, através das provocações, fazendo-o atacar primeiro, momento que o
contra-atacava com inteligência e agilidade fulminante. Jamais havia perdido
uma luta.
Ambicioso e orgulhoso, tão logo soube
da reputação do velho samurai, foi ao seu encontro, disposto a vencê-lo e
consequentemente aumentar sua fama.
Seus alunos, sem exceção, queriam que
ele recusasse o desafio, entretanto, ele aceitou o desafio.
Foram todos para a praça da pequena
cidade e diante dos olhares espantados, o jovem guerreiro começou a insultar o
velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direção, aos gritos proferiu insultos
e ofendeu seus ancestrais. Passaram-se horas de provocação, mas o veterano
guerreiro permaneceu sereno e impassível.
No final da tarde, exausto e humilhado,
o impetuoso guerreiro retirou-se.
Desapontados pelo fato de o mestre ter
aceitado calado tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram: “Como o
senhor pôde aceitar tantas ofensas”?
Por que não usou sua katana (espada
samurai), mesmo sabendo que podia ser derrotado, ao invés de mostrar-se covarde
diante de nós e de toda a cidade?
Após um olhar demorado em cada aluno e,
fixando o olhar no primeiro que havia lhe dirigido a palavra, perguntou: “Se
alguém lhe oferece um presente, e você não o aceita, com quem fica o presente”?
Com quem tentou entregá-lo, respondeu o
discípulo.
Pois bem, o mesmo vale para qualquer
outro tipo de provocação e também para a inveja, a raiva, e os insultos, disse
o mestre.
Quando não são aceitos, continuam
pertencendo a quem os carregava consigo.
Por essa razão, a sua paz interior
depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a calma, se você
não o permitir.
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