quarta-feira, 4 de abril de 2018

(IMAGEM GOOGLE)
O Samurai
By Celso Ghebz Ghelardino Gutierre

A aprendizagem é contínua, e os ensinamentos obtidos através das experiências também, sobretudo daquelas mais difíceis, que contemplam marcantes lições. Dessas, decorrem questionamentos profundos e diversos que, envolvem caráter, coragem, paciência...
O código de honra dos antigos guerreiros pressupunha, como prioridade, respeito para com o inimigo. O motivo do confronto podia ser diverso, mesmo que fosse por discordância de opinião ou pensamento. Se ocorresse a morte do oponente, ele seria honrado pelo vencedor que providenciaria inclusive sua homenagem póstuma. (O adversário era respeitado pela sua força e nobreza de caráter).
E, só há mérito na vitória se o oponente for um grande guerreiro.
No dia-a-dia, as lutas acontecem não somente nos campos de batalha ou nas arenas. Elas fazem parte de nossas vidas. Lutas que são decisivas para o nosso progresso como seres integrais que somos, independentemente se vencemos ou perdemos.
Haverá momentos em que o espírito da paz, o ceder para não confrontar, demonstrará coragem maior, embora aqueles que ainda vivem apenas as sensações aparentes não consigam perceber.
A história do velho samurai exemplifica bem isso. 
 
O velho Samurai
Próximo a Tóquio, vivia um famoso samurai.  
Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário. Aos seus jovens alunos, não ensinava apenas temas pertinentes a um guerreiro samurai, mas, igualmente, a filosofia zen, que busca a iluminação pessoal através da meditação.
Certa tarde, apareceu um jovem guerreiro, famoso por sua técnica da provocação e total falta de escrúpulos.
A sua estratégia era desestabilizar o adversário, através das provocações, fazendo-o atacar primeiro, momento que o contra-atacava com inteligência e agilidade fulminante. Jamais havia perdido uma luta.
Ambicioso e orgulhoso, tão logo soube da reputação do velho samurai, foi ao seu encontro, disposto a vencê-lo e consequentemente aumentar sua fama.
Seus alunos, sem exceção, queriam que ele recusasse o desafio, entretanto, ele aceitou o desafio. 
Foram todos para a praça da pequena cidade e diante dos olhares espantados, o jovem guerreiro começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direção, aos gritos proferiu insultos e ofendeu seus ancestrais. Passaram-se horas de provocação, mas o veterano guerreiro permaneceu sereno e impassível.
No final da tarde, exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.
Desapontados pelo fato de o mestre ter aceitado calado tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram: “Como o senhor pôde aceitar tantas ofensas”?
Por que não usou sua katana (espada samurai), mesmo sabendo que podia ser derrotado, ao invés de mostrar-se covarde diante de nós e de toda a cidade?
Após um olhar demorado em cada aluno e, fixando o olhar no primeiro que havia lhe dirigido a palavra, perguntou: “Se alguém lhe oferece um presente, e você não o aceita, com quem fica o presente”?
Com quem tentou entregá-lo, respondeu o discípulo.
Pois bem, o mesmo vale para qualquer outro tipo de provocação e também para a inveja, a raiva, e os insultos, disse o mestre.
Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo.
Por essa razão, a sua paz interior depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a calma, se você não o permitir.

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