domingo, 2 de abril de 2017

(TODAS AS IMAGENS GOOGLE)
O Paraíso na Terra - Hunza a verdade, mitos e mentiras 
By Celso Ghebz Ghelardino Gutierre 

Dia 30 de março último, eu publiquei uma pesquisa "O PARAÍSO NA TERRA - Shangri-Lá" que eu fiz em alguns “sites”: “The Hunza Valley”, “Natureba” e os não mencionados, “Qual é o segredo dos Hunza, o povo que não envelhece – History”, “Hunza o povo que não envelhece e vive até 120 anos – Mega Curioso”.
Um dia após minha publicação, um amigo interessado em saber mais, encontrou um “site” que desmente os “sites” em que eu pesquisei.
E seu texto, originalmente em inglês, bem como minhas considerações, eu transcrevo abaixo.
Hunza é um reino minúsculo situado a 2590 m de altitude e cujo acesso está a 4176 m de altitude, além de ser difícil e perigoso.
Trata-se de um vale com terrenos cultivados em terraços, árvores, pomares e animais criados para produção de carne e leite.
A região de baixíssimo índice de chuva e a água disponível vem das geleiras ao redor através de um aqueduto.
Começam as diferenças
Tudo no vale é escasso inclusive madeira ou combustível para o aquecimento, além de, haver dificuldades para trazer mercadorias de fora.
A irrigação transformou o vale que ganhou vegetação e deu origem ao nome Shangri-Lá ou Jardim do Éden.
Os primeiros a relatar que o povo Hunza tinha boa saúde e vida longa foram os militares ingleses que entraram no vale em 1870. Embora não houvesse por parte dos habitantes registros escritos que comprovassem a idade.
A impressão que tiveram os ingleses, quanto a boa saúde, deve-se provavelmente ao fato de virem pessoas esbeltas, com aparência saudável e até atlética, comparadas com os cidadãos da Inglaterra, onde a obesidade, o câncer e as doenças cardíacas eram sério problema de saúde.
John Clarck, geólogo e oficial do exército americano, esteve em Hunza entre 1951 e 1952, lá entre outras atividades dirigiu um dispensário gratuito de medicamentos que tratou de 5684 hunzakuts (como eram chamados os habitantes locais). Levou, também, novas sementes, ensinou carpintaria e artesanato em uma escola de meninos.
Logo, Clarck percebeu e relatou que inicialmente havia cometido o mesmo erro de praticamente todos. Acreditar em um “oásis” de vida e felicidade.
Em 1962 o Dr. Allen E. Bank e Renee Taylor escreveram o livro “Hunza Land”, que relata a pobreza local, ao mencionarem: “Aqueles que não podiam cultivar sua própria comida, simplesmente, morriam de fome”.
Outra citação contundente é que as pessoas não ajudavam umas às outras.
As doenças eram constantes.
Os visitantes não tinham acesso à realidade. O Mir (rei) impedia o contato com tudo que pudesse desmistificar a imagem do “Jardim do Éden”.
As informações sobre a dieta, a saúde, a longevidade e honestidade do povo eram todas falsas.
Taylor viveu meses no palácio e ouviu apenas informações filtradas. Somente o que o Mir queria que ele passasse para o mundo.
Outro fator apontado é que, de forma semelhante aos povos primitivos, os hunzakuts têm seu folclore cheio de histórias heroicas que omitem fatos desagradáveis.
A questão da longevidade, também, é curiosa. A idade para os hunzakuts era considerada como uma questão de sabedoria e não da idade cronológica como nós a consideramos.
Os homens idosos que posavam para fotos e diziam ter mais de 100 anos, tinham na realidade entre 70 e 80 anos. E, em grande parte, eram do Paquistão, e vinham atraídos pelas gorjetas dadas pelos turistas ao se permitirem fotografar.
Em 1973 o Dr. Alexander Leaf, na Revista National Geographic, afirmou: “Não há nenhuma validade científica para a longevidade e saúde. Os Hunzakuts sofrem de desnutrição e deficiências nutricionais, assim como em qualquer outra região montanhosa e remota no sudeste da Ásia. A expectativa de vida é de cerca de 50 a 60 anos, nunca de 120 ou 150 anos.
A falta de recursos, com poucos alimentos e baixas calorias impediu o povo de Hunza de se tornar obeso e evitou doenças causadas pelo excesso de carboidratos.
Não são vegetarianos por opção, mas por falta de outros alimentos.
Alguns falam sobre a água das geleiras ser rica em minerais, porém não há confirmação científica de que os minerais encontrados evitam doenças.
O pão dos hunzakuts é duro e parecido com o pão feito por algumas tribos indígenas norte-americanas.
Tampouco faziam as tortas tão comentadas.
A prática de espalhar adubo fresco (estrume) em vegetais, prática perigosa pela contaminação bacteriana, contribuiu para a elevada taxa de mortalidade.
Também é falsa a história que não havia crimes ou delitos em Hunza.
Os infratores eram enviados à uma colônia penal, no vale de Shimshal, onde os presos cuidavam dos rebanhos de carneiros do Mir. Lá os invernos são extremamente gelados acompanhados de ventos constantes.
A honestidade era outro problema pois o sistema social tornava a desonestidade a melhor política. A vida em Hunza era altamente competitiva e desorganizada.
As pessoas se importavam apenas com os membros de sua própria família.
O suicídio principalmente entre as mulheres era alto.
Uma vez que mentir ou roubar era normal, contar uma fábula era natural se trouxesse alguma vantagem. Foi o que o povo percebeu a aproximadamente um século atrás. Perceberam que fingir ser centenários traziam visitantes com dinheiro e presentes.
Fatos científicos sobre Hunza eram impossíveis de se obter. O governo local estabeleceu severa restrição para todos os visitantes e pesquisadores. Nunca houve confirmação da longevidade.
A maioria dos livros escritos sobre Hunza são ficção e mitos inflamados pela imaginação em acreditar em um mágico Jardim do Éden.
Entretanto o que descobrimos não anula a nossa afirmação de que, com uma conduta alimentar saudável e sensatez no pensar e no agir, a vida humana pode dar um salto qualitativo.

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