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A
Sabedoria
By Celso Ghebz Ghelardino Gutierre
Os poderes do conhecimento, do entendimento, do bom
encaminhamento das dificuldades da vida, passam pelo autoconhecimento.
Saber fazer interagir duas poções mágicas – o aprendizado
externo, aquilo que se recebe de fora com o que se deduz intimamente ponderando
e entendendo cada uma dessas informações – de forma que a combinação de ambas
seja acertada, e, também, sensível a ponto de satisfazer tanto a si mesmo,
quanto aos questionamentos externos é sabedoria.
A sapiência não está condicionada a cultura tradicional
acadêmica, mas a capacidade de abstração, de observação e de assimilação de
tudo o que está à sua volta, pessoas, natureza, intuições...
A vida, vista à luz da sabedoria é arte.
Tal qual uma bela obra de literatura, que tem em suas
páginas coisas tais como a sensatez ao dizer que, é preciso entender e aceitar
as diferenças de cada um. Que gera reação
autentica e espelha as próprias características e experiências.
Que diz a todo momento que a liberdade é essencial para bem
viver.
É deixar ir tudo aquilo que não tem mais lugar em nossa vida,
pois é benção e não dor.
Palavras que contam que há momentos em que é preciso deixar
acontecer...
Perceber que com o passar dos anos,
acontecem as grandes descobertas pessoais, os segredos que buscávamos, as perguntas
não respondidas...
O passar do tempo lembra
um vaso contendo água turva. A partir do momento em que for aberta a torneira
com água pura, a água, antes turva, vai ficando cada vez mais clara até
tornar-se cristalina.
Assim, também, é o
tempo. Aquilo que era turvo na mente vai ficando claramente visível,
transparente, ao entendimento.
A sabedoria indígena é profunda, eles têm a sensatez da
Natureza, que em última instância, eu entendo, é reflexo de Deus!

Transcrevo abaixo síntese que fiz de um discurso que foi
traduzido para o português pela Equipe de Floresta Brasil.
“O discurso foi proferido em 1854 pelo chefe das tribos
indígenas Suquamish e Duwamish (provavelmente do povo indígena Puyallup), em
uma grande reunião ao ar livre, em Seattle, estado de Washington, não confundir
com a cidade capital dos EUA que fica na costa leste do país.
O governador Isaac Stevens apresentou a proposta do governo
dos EUA para instalar as duas tribos em uma reserva indígena, oferecendo-lhes
algumas garantias e compensações. Em seguida a essas apresentações, levantou-se
o Cacique Seattle e começou a falar.
Com a sabedoria de um grande líder, o Cacique Seattle,
deixou, com seu profético discurso, uma lição para as futuras gerações de todos
os povos do mundo.
O grande chefe branco (de Washington) mandou dizer que quer
comprar nossa terra. Assegurou-nos também sua amizade. É uma atitude gentil da
sua parte, pois ele não necessita da nossa amizade. Vamos pensar na oferta.
Sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e se apossará
dela. O grande chefe de Washington pode acreditar no que o chefe Seattle diz.
Minha palavra é como as estrelas: não perdem o brilho.
Mas como é possível comprar ou vender o céu, o calor da
terra? É uma ideia estranha. Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada
folha reluzente, todas as praias de areia, cada floco de neblina nas florestas
escuras, cada clareira, todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e
na crença do meu povo.
Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de
viver. Para ele um pedaço de terra é o mesmo que outro. A terra não é sua irmã,
nem sua amiga, e depois de esgotá-la ele vai embora. Esquece os antepassados e
os direitos dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e deixa atrás de si os
desertos. Suas cidades são um tormento para os olhos do homem vermelho, mas
talvez seja assim porque o homem vermelho é um selvagem que nada compreende.
Não há paz nas cidades do homem branco...
Um índio prefere o suave sussurro do vento sobre a água e o
próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia e com perfume de
pinho. O ar é precioso para o homem vermelho, porque todos os seres vivos
respiram o mesmo ar, animais, árvores, homens. Não parece que o homem branco se
importe com o ar que respira.
Assim pois, vamos considerar tua oferta para comprar nossa
terra. Se decidirmos aceitar, farei uma condição: o homem branco deve tratar os
animais desta terra como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não
compreendo que possa ser de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo na
pradaria, abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do
trem em movimento. O que é o homem sem os animais? Tudo quanto acontece aos
animais pode também afetar os homens. Tudo quanto fere a terra, fere também os
filhos da terra.
Nossos filhos viram os pais humilhados na derrota. Nossos
guerreiros vergam sob o peso da vergonha. Não importa muito onde passaremos
nossos últimos dias. Eles não são muitos. Mais algumas horas ou até mesmo
alguns invernos e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nestas
terras ou aqueles que ainda percorrem em pequenos bandos pelos bosques, sobrará
para chorar sobre os túmulos, um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de
confiança como o nosso povo.
Sabemos de uma coisa que o homem branco talvez venha um dia
a descobrir: nosso Deus é o mesmo Deus. E quer bem da mesma maneira o homem
vermelho e o homem branco. Poderíamos ser irmãos, apesar de tudo.
A terra é amada por Ele. Causar dano à terra é demonstrar
desprezo pelo Criador. O homem branco também vai desaparecer, talvez mais
depressa do que as outras raças. Depois de abatido o último bisão e domados
todos os cavalos selvagens, quando as trilhas das florestas carregadas de odor
de muita gente e a vista das velhas colinas empanada por fios que falam. Onde
ficarão então os sertões? Terão acabado. Onde estará a águia? Irá acabar.
Restará dar adeus à andorinha e à caça; será o fim da vida e o começo da luta
para sobreviver.
Talvez compreendêssemos com que sonha o homem branco se
soubéssemos que esperanças transmite a seus filhos nas longas noites de
inverno, que visões do futuro oferece para que possam tomar forma os desejos do
dia de amanhã. Mas nós somos selvagens. Os sonhos do homem branco são
desconhecidos para nós. E por serem desconhecidos, temos que escolher nosso
próprio caminho. Se concordarmos com a venda é para garantir as reservas que
foram prometidas.
Lá talvez possamos viver nossos últimos dias. Depois que o
último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de
uma nuvem sobre as pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas
florestas e praias, porque nós as amamos. Protege-a como nós a protegíamos.
Nunca se esqueçam de como era a terra quando tomaram posse dela. E com toda a
sua força, o seu poder, e todo o seu coração, conserva-a para os seus filhos e
ama-a como Deus ama a todos nós.
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