
A Morte
By Celso Ghebz Ghelardino Gutierre
A morte sempre desperta um misto de pavor e curiosidade que,
em determinados momentos da vida se acentuam. As definições sobre ela variam
desde o fim (o término de tudo, seguido do nada), o fim da vida material para a
espera do julgamento final, a passagem da vida física para a vida espiritual.
Bem como a simbologia da morte com a figura representada por um esqueleto que
enverga uma capa com capuz. Por sua inflexibilidade, também está associada ao
Tempo e, como tal, brande uma foice. Paulo Coelho a define como uma companheira
de jornada, que está sempre sentada ao seu lado, dizendo: “eu vou tocá-lo, e
você não sabe quando”.
Prefiro essa última definição, até porque já a namoro há
muito tempo, embora eu nem sempre pressinta sua companhia. Entretanto recentemente,
especificamente em 14 de setembro de 2016, eu acordei e ouvi a TV ligada, desci
para desligá-la e acabei vendo algo que me deixou em estado de choque. Pela
minha maneira de pensar, até então, não imaginava que teria tal reação ao
assistir as imagens que vi. Minha esposa dormia e não percebeu minha presença.
Analisando as imagens tentei não me impressionar, em
princípio acreditei que logo não me incomodariam mais, mas não foi o que
aconteceu. Desde então as cenas; que não posso definir como de um filme de
terror, porque sempre interpretamos conforme nossos sentimentos, foram muito
fortes; não saem mais da minha mente e me assombram, a impressão que eu tenho é
que nunca mais as coisas serão as mesmas, talvez nunca mais esqueça delas.
Despertaram em mim a forte lembrança das palavras “ eu vou
tocá-lo, prepare-se, pois será em breve, e nesse momento a nossa união estará
realizada, partiremos juntos para a grande viagem”. Não sinto medo, mas
curiosidade, ansiedade para a jornada final nesta existência. Ah, não posso
deixar de mencionar, também, a sensação de paz que invade o meu peito ao
imaginar a passagem, a letra de uma bela melodia de Dorival Caymmi soa suave
aos meus ouvidos: “É doce morrer no mar, nas ondas verdes do mar...”.
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